Gianordoli: a Baest atingiria delegados, empresários e um desembargador federal

O delegado de Polícia Civil, Romulado Gianordoli, voltou a falar sobre seu afastamento de cargos importantes na segurança pública do Espírito Santo. Sua última atuação foi na Operação Baest, apontada em desdobramento de ação da Polícia Federal que levou à prisão o desembargador federal capixaba Macário Júdice Ramos, a inclusão do magistrado. A Baest foi deflagrada pela PCES em maio de 2025 mirou em crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de drogas, entre outros, ligados à facção Primeiro Comando de Vitória (PCV).

Após noticiário de que entre os contatos de Macário estão alvos da operação policial capixaba e até um contato telefônico com o governador Renato Casagrande (PSB), Gianordoli poderá ser ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado do Senado, conforme protocolou requerimento o senador Magno Malta (PL).

“Houve interferência na Operação Baest. E negar isso é desrespeitar a inteligência de quem acompanha os fatos. Desde o início, a investigação sofreu instabilidades administrativas, com tentativas de troca no comando do CIAT — justamente a unidade responsável pelo caso. Quando ficou claro que haveria a retirada de servidores estratégicos, fomos obrigados a encerrar a primeira fase para preservar o que já havia sido produzido. A segunda fase já estava delineada (mas ainda com necessidade de diligências investigativas), e atingiria delegados de polícia, empresários com contratos milionários com o Estado e até um desembargador federal. Foi exatamente nesse momento que ocorreu o clássico cenário de obstrução branca: não há caneta mandando parar, mas há o esvaziamento deliberado da equipe, o desmonte do núcleo investigativo e a quebra da continuidade”, afirmou.

Gianordoli e outros 3 delegados foram exonerados de cargos e remanejados dentre da PCES e, sobre ele, o governador Renato Casagrande – apontado como quem tomou a decisão – disse que o delegado sabe exatamente o motivo. “O delegado sabe porquê foi exonerado, ele está, na verdade, usando um artifício, mas o delegado tem sérios problemas de conviver com colegas e por uso de informações na sua função para que pudesse cumprir objetivos não republicanos”.

Os diálogos suspeitos de Macário encontrados pela PCES foi com um dos alvos da ação, o empresário Adilson Ferreira, cujo celular continha conversas com o magistrado que indicavam a atuação dele em licitações no âmbito estadual. O relatório final da operação foi concluído em 24 de setembro com o indiciamento de Ferreira sob suspeita de ser um dos responsáveis pela lavagem de dinheiro da facção.

Questionado se a identificação de Macário e Adilson Ferreira durante as investigações foram fundamentais para a suposta interferência que garante ter sofrido, Romualdo Gianordoli explicou que quando o empresário foi alcançado, teve o telefone desbloqueado, abriu-se um efeito em cadeia. “Todos aqueles que mantêm relações escusas com ele passam a temer, com razão, que a investigação chegue até eles. E o que acontece a partir daí? Esses atores utilizam os meios de que dispõem para tentar paralisar ou enfraquecer a investigação. No caso do desembargador, as conversas obscuras mantidas com ADILSON deixam evidente a existência de conexões diretas com o poder. Há, inclusive, indicativos de contato com o governador, como já foi exposto em relatório da Polícia Federal”, complementou.

O delegado garante diversos elementos relacionando agentes públicos e os investigados e que se for convocado por CPI para tratar do tema, terá quantidade significativa de informações objetivas, além de documentos. “Quanto a outros pontos mais sensíveis — como diálogos, conexões e elementos extraídos de dispositivos — muitos ainda estão sob sigilo. E, nesse caso, é necessário responsabilidade: qualquer apresentação precisa respeitar os limites técnico-jurídicos, sob pena de comprometer investigações em andamento ou até a validade das provas. Portanto, o que for possível será apresentado com transparência. O que estiver sob sigilo será tratado com o devido cuidado, avaliando a forma legal adequada de levar à CPI sem violar o ordenamento jurídico”, finalizou.

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas