Magno Malta pede convocação de delegado exonerado após Operação Baest

O senador Magno Malta (PL-ES) protocolou requerimento na Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado do Senado para convocar o delegado Romualdo Gianordoli Neto, ex-subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo. A oitiva ocorre em meio à repercussão nacional sobre a exoneração do delegado após a conclusão da Operação Baest, que identificou diálogos considerados suspeitos envolvendo o juiz federal Macário Júdice.

No requerimento, Malta sustenta que Gianordoli era autoridade diretamente envolvida na investigação e que seu depoimento é “imprescindível” para esclarecer as circunstâncias de sua exoneração, a dinâmica interna da equipe responsável pela operação e eventuais interferências administrativas. O senador também menciona a necessidade de apurar possíveis conexões entre agentes públicos e organizações criminosas.

A Operação Baest, deflagrada pela Polícia Civil do Espírito Santo em maio de 2025, mirou o suposto braço financeiro da facção Primeiro Comando de Vitória. Um dos alvos foi o empresário Adilson Ferreira, cujo celular continha conversas com o magistrado que, segundo o relatório finalizado em setembro do mesmo ano, indicariam possível atuação em procedimentos licitatórios no âmbito da administração estadual.

Após a conclusão do relatório, que resultou no indiciamento de Ferreira por suspeita de lavagem de dinheiro, quatro delegados que assinaram o documento foram removidos de suas funções. Em 24 de outubro de 2025, o governador Renato Casagrande (PSB) exonerou Gianordoli do cargo de subsecretário de Inteligência. Ele chegou a ser nomeado assessor na pasta, mas acabou dispensado em dezembro.

A crise ganhou novo capítulo em janeiro de 2026, quando o Ministério Público do Espírito Santo solicitou o compartilhamento dos diálogos com a Polícia Federal. No mesmo mês, a PF pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para apurar a relação entre Casagrande e Macário Júdice. O magistrado, que atuava no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, é investigado em outro procedimento e nega irregularidades.

No requerimento apresentado à CPI, Malta argumenta que a coincidência temporal entre a finalização do relatório da Baest e as mudanças no comando das unidades responsáveis pela investigação suscita dúvidas que precisam ser esclarecidas pelo Senado. A data do depoimento ainda dependerá de deliberação da comissão.

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