A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a análise para eventual abertura de investigação contra o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB). O pedido tem como base mensagens encontradas no celular do juiz federal Macário Júdice que, segundo a corporação, indicariam possível intermediação do governador em favor de um aliado político.
A solicitação foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que também apura fatos relacionados ao presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar, e ao ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos.
De acordo com a Polícia Federal no Rio de Janeiro, as mensagens sugerem que Casagrande teria pedido atuação do magistrado em um processo envolvendo um prefeito aliado, investigado por improbidade administrativa. Para os investigadores, o teor das conversas indicaria que a solicitação teria sido atendida.
Em coletiva realizada nesta segunda-feira (2), Casagrande negou qualquer irregularidade e afirmou que o diálogo teve caráter institucional. “Eu já falei sobre o conteúdo da minha conversa com o desembargador Macário. Foi uma conversa pública e transparente, que eu posso ler para todos vocês. Foi uma conversa institucional e republicana, não tinha nenhum interesse a não ser, no ambiente que estamos vivendo, reduzir instabilidades políticas no município para a gente poder continuar trabalhando”, declarou.
O governador também afirmou não ter conhecimento sobre o inquérito citado. “O secretário Álvaro, o secretário Damasceno e o delegado, eu não conheço o inquérito Baest”, disse.
Delegado Romualdo
Outro ponto abordado na coletiva foi a exoneração do delegado Romualdo Gianordoli Neto, que deixou, em outubro, o cargo de subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública. Após a saída, ele passou a afirmar que foi afastado em razão do avanço da Operação Baest sobre um empresário da Serra.
Segundo Romualdo, a exoneração ocorreu três dias após uma reunião da cúpula da Segurança Pública para tratar da investigação. Ele também afirmou que outros três policiais que atuaram no caso foram removidos de suas funções.
Questionado sobre as declarações, Casagrande rebateu as acusações. “Esse delegado sabe por que foi exonerado, ele está buscando um artifício. Ele foi exonerado por incapacidade de conviver com colegas e por uso de informações da sua função para cumprir objetivos não republicanos”, afirmou.
O governador acrescentou que os procedimentos internos deverão esclarecer os fatos. “O inquérito que tramita na Polícia Civil e o processo que tramita na Corregedoria da Polícia Civil vão deixar isso bastante claro”, declarou.
Casagrande também foi questionado se os episódios impactam seu planejamento eleitoral, já que pretende disputar uma vaga ao Senado neste ano. O governador negou qualquer mudança de estratégia.
“Não. Nosso cálculo está dentro daquilo que havíamos planejado e, chegando agora no mês de março, vamos dar esse passo de decisão que já estava previsto. Não tem nada a ver, porque não há nenhum conteúdo que possa alterar”, disse.
O pedido da Polícia Federal ainda será analisado pelo Supremo Tribunal Federal. Até lá, o caso passa a integrar o cenário político capixaba às vésperas do calendário eleitoral.









