Do campo à xícara: Projeto inédito usa gás natural para criar o “super conilon” no ES

O Espírito Santo, consolidado como o maior produtor de café conilon do Brasil, deu início a uma tecnologia que promete revolucionar o agronegócio e a sustentabilidade no campo: a secagem de grãos com gás natural. O projeto piloto, de caráter inédito no país, começou nesta semana na Fazenda Chapadão, em Linhares, coincidindo com a abertura oficial da colheita do conilon no estado, no último dia 14 de maio.

A iniciativa busca solucionar um dos maiores desafios históricos da cafeicultura capixaba: a padronização e o controle térmico na etapa de secagem. Tradicionalmente realizada com lenha ou outras biomassas, a secagem agora ganha a precisão do gás natural, permitindo uma temperatura constante e a ausência total de fumaça, o que preserva os atributos sensoriais e garante a qualidade superior exigida pelo mercado externo.

Inovação, Qualidade e Exportação

Segundo Fabrício Tristão, presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), o uso do gás natural é um divisor de águas para a competitividade internacional. “A etapa da secagem ainda representava um dos principais desafios para ganhos mais expressivos de qualidade na exportação. A utilização do gás natural tem potencial para elevar significativamente o padrão do café capixaba, agregando valor e fortalecendo a liquidez do nosso mercado”, destaca.

O projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) é conduzido pela ES Gás e conta com a aprovação da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP). Com um investimento aproximado de R$ 1,1 milhão, a operação em condições reais de safra permitirá avaliar a viabilidade técnica, econômica e socioambiental da solução.

Parcerias e Monitoramento Técnico

A robustez do projeto se deve a uma rede de cooperação que envolve grandes nomes do setor e da academia. Além do CCCV, a iniciativa reúne parceiros como a Jacobs Douwe Egberts (JDE). A execução técnica fica a cargo do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), através do projeto Coffee Design, da Base 27 e de empresas especializadas na adaptação de equipamentos térmicos.

O professor Aldemar Polonini Moreli, coordenador no Ifes, reforça que os resultados contribuirão para elevar o patamar de sustentabilidade da cafeicultura. O monitoramento rigoroso durante a safra em Linhares servirá de base para uma eventual expansão do modelo para outros polos produtores nos próximos ciclos.

Interiorização do Gás e Sustentabilidade

O projeto ocorre em um ambiente de sandbox regulatório (espaço para testes de inovações) sob supervisão da ARSP. Para Débora Niero, diretora de Gás Canalizado da agência, a iniciativa é um passo decisivo para a interiorização do energético no Espírito Santo. “Trata-se de uma convergência entre inovação, desenvolvimento regional e evolução regulatória, em sintonia com os objetivos do Plano de Descarbonização do Estado”, afirma.

Com o sucesso dos testes na propriedade do produtor Eduardo Bortolini, o Espírito Santo abre caminho para um modelo produtivo mais eficiente, que reduz a dependência de biomassa tradicional e coloca o “conilon especial” capixaba em mercados globais ainda mais exigentes.

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