Mais de 38% do preço dos chocolates são impostos

A celebração da Páscoa, marcada por reuniões familiares, trocas de chocolates e almoços especiais, traz um ingrediente amargo para o consumidor: a elevada carga tributária embutida nos produtos típicos da data. Um levantamento do advogado tributarista Samir Nemer revela que, em alguns itens, os tributos podem representar mais da metade do valor final pago pelo consumidor.

O campeão da lista é o vinho importado, com 64,57% do seu preço formado por tributos. Em seguida aparece o vinho nacional, com 45,56%, e a cerveja, com 39,07%. “Esses percentuais mostram como o sistema tributário brasileiro penaliza o consumo. O vinho importado, por exemplo, tem quase dois terços de seu preço final compostos apenas por impostos”, alertou Nemer, que é sócio do escritório FurtadoNemer Advogados.

O tradicional chocolate, símbolo da Páscoa, também aparece na lista com altos índices de tributação. O ovo de Páscoa e o chocolate em barra têm carga de 38,25%, enquanto os bombons atingem 38,49%. “Ao comprar um ovo de Páscoa de R$ 100, o consumidor está destinando mais de R$ 38 para os cofres públicos”, explicou.

Entre os alimentos preferidos na Semana Santa, o bacalhau, outro item frequentemente presente à mesa dos capixabas, conta com 34,58% de tributos embutidos. Já os peixes em geral, mais acessíveis, têm carga tributária de 27,55%.

Até mesmo os serviços mais utilizados durante o feriado são afetados pela alta carga tributária. Um almoço em restaurante, por exemplo, tem 34,58% de seu valor final em tributos. Já a hospedagem e as passagens aéreas, comuns para quem aproveita o período para viajar, possuem cargas de 25,90% e 22,10%, respectivamente.
Segundo Samir Nemer, os principais tributos que compõem esses percentuais são o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), o PIS e a Cofins. No caso dos produtos importados, soma-se ainda o imposto de importação. “O sistema brasileiro é um dos mais complexos do mundo e é baseado principalmente no consumo, o que afeta de forma mais dura as classes de menor renda”, declarou o advogado.

Além de criticar a alta carga tributária, Nemer defende uma maior conscientização da população. “Poucos consumidores se atentam ao quanto pagam de imposto ao adquirir um produto. Esse desconhecimento dificulta a cobrança por melhores serviços públicos e maior eficiência na gestão dos recursos. É importante refletir sobre o sistema tributário e exigir mudanças que aliviem o bolso do consumidor, principalmente em épocas de maior consumo”.

Mais de 38% do preço dos chocolates são impostosConfira os principais produtos da Páscoa e seus respectivos impostos:
Vinho importado – 64,57%
Vinho nacional – 45,56%
Coelho de pelúcia – 40,96%
Cerveja – 39,07%
Bombom – 38,49%
Ovo de Páscoa e chocolate – 38,25%
Refrigerante (lata) – 36,56%
Colomba pascal de chocolate – 36,02%
Bacalhau – 34,58%
Peixes – 27,55%

Tributação em serviços utilizados no período da Páscoa:
Almoço em restaurante – 34,58%
Hospedagem – 25,90%
Passagem aérea – 22,10%

Fonte: Levantamento do advogado tributarista Samir Nemer, com base nos dados do site Impostômetro.

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