Maternidade do Século XXI: mulheres que foram criadas para conquistarem o mundo!

Liberdade e vida profissional se transformaram em necessidades básicas para as mães modernas  

Maternidade do Século XXI: mulheres que foram criadas para conquistarem o mundo!
Andressa Hirle, filha, mãe e profissional liberal (John Abe)

O celular desperta às 7 horas. O dia anuncia uma rotina de muito trabalho, compromissos com a família e tarefas domésticas. Entre uma atividade e outra, ela arruma um tempo para dar mais atenção para a filha e interagir com os milhares de seguidores nas redes sociais. Cheia de atividades, a rotina da dentista Andressa Hirle é o verdadeiro retrato da mulher moderna.

Mas, afinal, quem é essa mãe do Século XXI? Para a psicóloga e psicanalista Cássia Rodrigues, essa nova geração de mulheres tem a liberdade e a independência como premissas.

“São mulheres que foram educadas para conquistar o mundo. A vida profissional virou prioridade e, a partir daí, temos grandes vitórias e muitos desafios”, explicou.

Passos importantes estão entre as conquistas dessa nova geração. Alguns deles foram adquiridos no século passado e se refletem nos dias de hoje, como o direito ao voto e o controle da maternidade.

“Foi através da descoberta da pílula anticoncepcional que a mulher alcançou outro patamar no mercado de trabalho. A partir daí, ela passou a decidir quando seria mãe e, mais importante do que isso, se ela gostaria de ser. O direito ao voto inaugurou uma nova era, inclusive com o início da participação feminina na vida pública”, acrescentou a psicóloga.

Maternidade.

Diante de tanta independência e liberdade, as mulheres se viram com novos desafios. Enquanto muitas passaram a rever se a maternidade é realmente um desejo, outras se viram diante do desafio de constituir uma família entre tantas metas profissionais.

“Eu acredito que esse seja o grande desafio da mulher dos dias de hoje. Por um lado, temos mulheres que ainda precisam enfrentar preconceito por decidirem que não desejam ser mães. Por outro, temos outras que se dedicam tanto à carreira que se esquecem que existe um relógio biológico. Infelizmente, o nosso corpo não espera”, detalhou a psicóloga.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprovam a tese. O número de mulheres grávidas com mais de 40 anos aumentou mais de 88% entre 1998 e 2018. O mesmo se reflete nas clínicas de fertilização in vitro, que registraram aumento de 168% nos procedimentos nos últimos sete anos.

Casamento.

Esse cenário não afetou apenas a relação da mulher com a maternidade. O casamento também enfrenta grandes transformações.

“Muitos homens não aprenderam a lidar com essa nova mulher. Além de disputar o mercado de trabalho com elas, eles agora precisam assumir novos papéis no relacionamento e na paternidade. Já a mulher ficou mais exigente e parece ter uma lista de requisitos a preencher ao escolher um parceiro. Os conflitos ficaram inevitáveis”, argumentou a especialista.

Encontrar o equilíbrio entre todos os aspectos da vida parece ser o grande sucesso para uma vida feliz. Pelo menos é nisso o que Andressa acredita. “A mulher precisa ter força e paciência. Precisa ser uma grande mulher e uma boa esposa. Acredito que essa é a grandeza de ser mulher”, celebrou.

Mercado de trabalho.

Mesmo com tantas conquistas, ainda há muito a ser alcançado. No mês em que comemoramos o Dia das Mães, muito se questiona sobre a participação feminina no mercado de trabalho. Apesar de ela ter aumentado nos últimos anos, as mulheres ainda não têm as mesmas oportunidades que os homens. Um relatório recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) revela que a participação feminina no mercado de trabalho ainda é 20% menor do que a masculina. Além disso, há grandes diferenças entre salários e acesso à educação.

Mãe de Andressa, Luciene Costa, de 51 anos, lembra o quanto o acesso à educação era mais difícil quando jovem.

“Percebo grande diferença nesse aspecto quando comparo com a vida da minha filha e da minha neta. Quando eu era jovem, o acesso à educação era algo difícil. No caso delas, além de ser mais fácil, tornou-se quase uma obrigação”, comparou.

Maternidade do Século XXI: mulheres que foram criadas para conquistarem o mundo!
Luciene Costa, filha, mãe, avó, estudante e empresária (John Abe)

Hoje jornalista e empresária, ela avalia que essas transformações trouxeram grande impacto para as suas conquistas. “Com todas as dificuldades e necessidades, eu mudei muito com o passar dos anos. Nós, mulheres, não podemos nos esquecer que conquistamos muitas coisas, mas ainda lutamos por respeito e reconhecimento. A independência da mulher é necessária. Porém, não precisamos abdicar do outro. Precisamos crescer e evoluir, sempre com o auxílio e o apoio da família”, comentou.

A mesma ideia é compartilhada pela filha. Andressa avalia que a independência financeira foi fundamental para que ela se desenvolvesse como pessoa. “Eu nunca precisei exigir nada. Conquistei o meu espaço com dedicação e esforço. Acredito que resiliência e empenho fazem parte do universo feminino”, destacou.

Dia das Mães. Para Andressa o dia das mães é todos os dias, mas o dia em si ela para pra observar quem mais ama. Mas, neste ano de pandemia do Covid-19 será diferente, por não poder estar perto. Estar longe é uma prova de amor.

“Eu não vou estar perto da minha mãe, da minha filha e da minha avó, pois todas estão juntas, na casa da minha avó. Vamos almoçar por videoconferência. De presente elas vão ganhar vitaminas, que é cuidado, para que a gente possa se cuidar. Eu estou sozinha no meu apartamento, porque preciso trabalhar. Vou passar o dia das mães sozinha. A melhor forma de proteger e de dizer que ama é protegendo”, encerra a dentista.

Lara Hirle, 9 anos

Filha de Andressa e neta de Luciene, a pequena vê na mãe e na avó os exemplos de superação, independência e beleza. “Quando crescer, quero ser como minha avó e como minha mãe. Quero trabalhar como minha mãe e ser bonita como minha avó. Já penso no futuro. Quero ser uma grande mulher, trabalhadora e independente. Penso em ser estilista ou cantora”, comentou.

Andressa Hirle – 32 anos: A dentista Andressa Hirle se sente feliz ao ver que a filha, Lara, se parece com ela.

“Eu fui criada por minha avó, que era um grande exemplo e me inspira muito. Eu e minha mãe somos muito amigas, apesar de bastante diferentes. Vejo que a nossa educação foi distinta e isso foi fundamental para nossa relação ser tão boa. Fiz questão de transmitir para a Lara a educação que eu tive. Ela é bem independente, cheia de personalidade, solta e extrovertida. Quero que ela se pareça comigo e seja ainda melhor!”.

Luciene Costa – 51 anos: A avó de Lara e mãe de Andressa vê semelhanças e diferenças entre a educação de todas.

“Nascemos em momentos e contextos distintos. Eu engravidei muito jovem, enquanto a Andressa foi mãe mais madura. Mas acredito que nós somos mães muito parecidas, dedicando amor e carinho aos nossos filhos”.

As fotos desta matéria foram realizadas logo depois do carnaval, antes do início do isolamento social, no apartamento da Andressa Hirle, pelo fotógrafo John Abe.

**********

A coluna homenageia todas as mães, maravilhosas e guerreiras do século XXI. Cada uma do seu jeito e com sua garra.
Exemplos de que, mesmo com o Covd-19, o amor vai vencer. Feliz dia!

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas