O avanço da gripe no Brasil tem acendido um alerta para a saúde da população idosa. Embora muitas vezes associada a quadros leves, a infecção pelo vírus influenza pode evoluir de forma mais grave em pessoas com mais de 60 anos, especialmente na presença de comorbidades e fragilidades próprias do envelhecimento.
Dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe) mostram um crescimento expressivo das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) ligada à influenza. Entre janeiro e a segunda semana de março de 2026, as hospitalizações entre idosos aumentaram 153% em comparação com o mesmo período de 2025. O cenário indica uma antecipação e maior intensidade na circulação do vírus, além de reforçar a maior vulnerabilidade dessa faixa etária.
De acordo com o médico geriatra e superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior, Roni Mukamal, o envelhecimento do sistema imunológico reduz a capacidade de resposta do organismo a infecções respiratórias. “A gripe em idosos não deve ser encarada como algo trivial. Há maior risco de complicações, como pneumonia, descompensação de doenças crônicas e necessidade de hospitalização”, alerta.
A vacinação anual contra a influenza segue como a principal estratégia de prevenção. O imunizante é atualizado periodicamente para acompanhar as cepas em circulação e contribui para reduzir a gravidade dos casos e o risco de complicações.
Além da vacina, medidas simples no dia a dia ajudam a conter a transmissão do vírus, como higienizar as mãos com frequência, manter ambientes ventilados, usar máscara em locais com maior risco e cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar.
O especialista também chama atenção para a identificação precoce dos sintomas. Febre, tosse, dores no corpo, fadiga e alterações no estado geral devem ser avaliadas rapidamente. Em idosos, os sinais podem ser menos evidentes, o que exige atenção redobrada. “Qualquer mudança no padrão habitual de saúde deve ser investigada”, orienta.
Modelos de cuidado baseados no acompanhamento contínuo têm papel importante na redução de riscos, ao permitir monitoramento mais próximo, incentivo à vacinação e intervenções precoces. Diante do envelhecimento da população, estratégias preventivas se tornam ainda mais essenciais para preservar a autonomia e a qualidade de vida.
“Prevenir a gripe é evitar complicações que podem impactar de forma significativa a saúde do idoso. Trata-se de um cuidado essencial, com benefícios diretos na manutenção da funcionalidade e do bem-estar”, conclui Mukamal.









