Fim da aposentadoria compulsória como punição para juízes avança na CCJ da Câmara dos Deputados

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (8), a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da aposentadoria compulsória como punição disciplinar para juízes, desembargadores e membros do Ministério Público. O avanço da matéria ocorre por meio do parecer favorável do relator, o deputado federal capixaba Helder Salomão (PT-ES), que classificou o atual modelo de penalidade como uma distorção histórica no sistema jurídico brasileiro.

A medida atende a uma demanda antiga da sociedade e visa extinguir o benefício que permite a magistrados afastados por infrações graves continuarem recebendo vencimentos proporcionais pagos pelos cofres públicos. Com a validação na CCJ, o projeto ganha força em Brasília no momento em que a perda definitiva do cargo passa a ser defendida como a sanção administrativa adequada.

O impacto da nova regra e o histórico de juízes punidos no Espírito Santo

O debate sobre a eficácia das punições administrativas tem reflexo direto no Judiciário capixaba. Dados consolidados apontam que, no histórico recente, 9 magistrados foram punidos com aposentadoria compulsória no Espírito Santo em um intervalo monitorado de dez anos. As sanções foram aplicadas após processos disciplinares conduzidos pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) ou pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), motivadas por irregularidades no exercício da função pública no Estado.

A nova PEC altera o texto constitucional e substitui a aposentadoria por interesse público pela possibilidade real de perda do cargo por decisão administrativa dos tribunais competentes, respeitando as garantias de ampla defesa e do devido processo legal. A proposta resguarda, contudo, os direitos adquiridos dos atuais membros vitalícios da magistratura, aplicando-se integralmente para o futuro.

Fim da aposentadoria compulsória como punição para juízes avança na CCJ da Câmara dos Deputados
Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

“A sociedade brasileira espera que todas as instituições públicas estejam submetidas aos princípios da moralidade, da responsabilidade e da transparência. Não é razoável que uma punição disciplinar seja percebida como um privilégio. Precisamos fortalecer a confiança da população nas instituições e assegurar que haja mecanismos efetivos de responsabilização”, destacou Helder Salomão.

 

Entendimento do STF e os próximos passos na Câmara

Embora o projeto avance no Legislativo, o entendimento jurídico sobre o tema já vem passando por transformações. O Supremo Tribunal Federal (STF) passou a considerar a aposentadoria compulsória como sanção extinta sob a ótica da Emenda Constitucional da Reforma da Previdência, sustentando que desvios graves de conduta devem resultar na perda do cargo e não na concessão de proventos.

Originada no Senado Federal, a proposta agora cumprirá as seguintes etapas de tramitação na Câmara dos Deputados:

  • Comissão Especial: Será constituído um colegiado para avaliar o mérito técnico do texto;

  • Votação em Plenário: A matéria precisará passar por votação em dois turnos;

  • Promulgação: Se for aprovada pelos deputados sem emendas ou alterações no texto que veio do Senado, a emenda à Constituição será promulgada diretamente pelo Congresso Nacional.

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