O que era para ser um pedido formal de adiamento de votação e acesso ao projeto de reestruturação administrativa do Tribunal Regional do Trabalho do Espírito Santo (TRT-ES) transformou-se em uma verdadeira arena jurídica. A desembargadora Marise Chamberlain subiu o tom e disparou ataques diretos contra a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), representada no plenário por sua presidente, Érica Neves.
A tensão escalou a ponto de a presidente da Ordem precisar intervir imediatamente para garantir que a instituição exigirá um ato de desagravo público contra a magistrada.
“Fora de si”: A dura resposta da OAB em plenário
A OAB compareceu à sessão movida pela falta de transparência, já que a classe não teve acesso prévio ao projeto que altera a estrutura administrativa do tribunal. O objetivo era solicitar o adiamento para que a advocacia pudesse avaliar e sugerir mudanças.
A reação da desembargadora, no entanto, pegou os presentes de surpresa. Diante das falas de Marise Chamberlain, Érica Neves reagiu de forma contundente:
“Fomos extremamente agredidos com essa fala da Dra. Marise. A Ordem é uma instituição respeitada e não vamos aceitar esse destrato […]. Ouvir uma desembargadora que, me desculpe, está fora de si dentro de um tribunal, utilizando de sua liturgia que não lhe cabe, está causando uma vergonha para os próprios pares e atacando o Primeiro Grau, que também trabalha muito.”
Érica Neves confirmou que solicitou oficialmente a gravação da sessão. “Infelizmente desandou com pessoas ordeiras e trabalhadoras. Fica aqui o nosso desagravo, porque nós vamos providenciar um desagravo. Ninguém destrata a OAB do Espírito Santo”, pontuou a presidente da Ordem.
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O estopim: Desembargadora afirmou que Primeiro Grau “não tá fazendo nada”
O clima azedou quando Chamberlain questionou abertamente a legitimidade e a presença dos representantes dos advogados na sessão:
“O que é que a OAB está fazendo aqui? Eu acho que deveria ter certa responsabilidade nisso. A pessoa vem aqui sustentar, falar… A gente só tem uma decisão a cumprir. A decisão do corregedor. Quando ele diz ‘vamos reestruturar’, vamos reestruturar, porque o primeiro grau não tá fazendo nada e tá cheio de servidor, posso tirar uns e colocar no segundo grau. Aí vem a OAB e diz coisa absurda. Não sei o que a OAB está fazendo aqui. Vocês, amados desembargadores, tiveram muita cautela, delicadeza, mas eu não tenho, não.”
Histórico de Polêmicas e Investigação no CNJ
Esta não é a primeira vez que o comportamento da magistrada vira alvo de debates. Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, atual vice-presidente do TRT da 17ª Região, acumula polêmicas em sua trajetória recente.
Atualmente, ela está proibida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de assumir a presidência da Corte ou qualquer outro cargo diretivo além da vice-presidência.
A vedação temporária decorre de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apura denúncias de má conduta e falta de urbanidade. Chamberlain é investigada por publicar mensagens agressivas com forte viés político-partidário em um grupo de WhatsApp composto por magistrados da Justiça do Trabalho. Na ocasião, ela chegou a chamar um colega de “gentalha” e disparou: “Quando eu for presidente do Tribunal, menina, a direita já tratorou a esquerda toda”.
A restrição imposta pelo CNJ segue válida até o julgamento definitivo do PAD.









