A Operação Baest, deflagrada pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) em 14 de maio de 2025, completa um ano nesta quinta-feira (14) ainda com desdobramentos na Justiça, novas medidas cautelares e prisões de investigados apontados como integrantes de uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas.
Considerada uma das maiores operações financeiras já realizadas pela Polícia Civil capixaba, a ação teve como foco desarticular um esquema de ocultação patrimonial que utilizava empresas de fachada, movimentações bancárias suspeitas e aquisição de bens de luxo para dissimular recursos ilícitos.
O que foi a Operação Baest
A operação foi coordenada pelo Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat), com apoio de unidades especializadas da Polícia Civil e forças de segurança de outros estados, dentro do projeto nacional I.M.P.U.L.S.E./ENFOC, do Ministério da Justiça.
As ações ocorreram simultaneamente no Espírito Santo e em outros estados, com cumprimento de mandados de busca e apreensão, bloqueios judiciais e sequestro de bens.
Segundo a Polícia Civil, a operação resultou em:
- 25 mandados de busca e apreensão;
- bloqueio de aproximadamente R$ 104 milhões;
- sequestro de imóveis, veículos e contas bancárias;
- apreensão de carros de luxo, armas, joias e obras de arte.
As investigações apontam que o grupo utilizava empresas registradas em nomes de terceiros para ocultar patrimônio e movimentar dinheiro de origem ilícita.
Empresário preso voltou ao centro da investigação
Um dos principais nomes citados nas investigações é o empresário Adilson Ferreira, preso no último dia 8 de maio de 2026 após ser localizado no Aeroporto Internacional de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, em ação motivada por denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
Adilson aparece em documentos do pedido de habeas corpus anexado ao processo da Operação Baest, no qual o Ministério Público detalha a suposta estrutura empresarial utilizada para ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.
Segundo a denúncia, empresas ligadas ao investigado teriam sido usadas para aquisição de veículos de luxo e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.
O Ministério Público afirma ainda que familiares e pessoas próximas teriam sido utilizados como “laranjas” para registrar empresas e ocultar patrimônio.
Nesta quarta-feira (13), a Justiça estadual negou o pedido de soltura apresentado pela defesa de Adilson.
Porsches e empresas de fachada aparecem na denúncia
Entre os exemplos citados pelo Gaeco estão empresas que, segundo os investigadores, teriam sido utilizadas para aquisição e ocultação de veículos como Porsche Cayenne e Porsche Panamera.
O documento aponta que os veículos chegaram a ser registrados em nome de diferentes empresas, mas permaneceriam sob posse de Adilson Ferreira.
As investigações também citam movimentações financeiras consideradas atípicas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), além de transações suspeitas envolvendo empresas ligadas ao investigado.

Caso segue em andamento na Justiça
Um ano após a operação, o caso ainda está em tramitação judicial. O Ministério Público apresentou denúncia criminal contra investigados por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Além disso, novas medidas cautelares vêm sendo cumpridas ao longo de 2026 como parte do aprofundamento das investigações.
Os pedidos de habeas corpus apresentados pelas defesas dos investigados seguem sob análise judicial. O Ministério Público sustenta que há elementos suficientes para indicar a existência de uma estrutura organizada voltada à ocultação de patrimônio e dissimulação de recursos ilícitos.
Operação também gerou desdobramentos políticos e institucionais
A Operação Baest também passou a ter repercussão política e institucional após surgirem informações sobre possíveis conexões entre investigados e autoridades públicas.
Reportagens publicadas em março deste ano apontaram que mensagens encontradas no celular do empresário Adilson Ferreira teriam levado investigadores a apurar uma possível relação do desembargador federal Macário Júdice Neto com investigados apontados como integrantes do suposto braço financeiro do Primeiro Comando de Vitória (PCV).
As informações vieram à tona após declarações do delegado Romualdo Gianordoli Neto, que atuou nas investigações da Baest e afirmou que uma possível segunda fase da operação poderia atingir empresários, delegados e até um desembargador federal.
Segundo as reportagens, conversas extraídas do celular de Adilson Ferreira indicariam interlocuções envolvendo interesses empresariais e possíveis tratativas relacionadas a licitações no Espírito Santo.
A repercussão do caso levou o ministro do STF, Alexandre de Moraes, a autorizar o compartilhamento de provas da Operação Baest com a Polícia Federal do Rio de Janeiro, que também investiga possíveis conexões envolvendo o desembargador Macário Júdice Neto.










