Vitima de tentativa de homicídio na noite de quarta-feira (11), o empresário Adilson Ferreira revelou à Rádio ES Hoje que precisou mudar de casa, está perdendo contratos e passou a andar com segurança após ter o carro alvejado. Ele atribui a insegurança que ele e sua família estão vivendo à exposição de seu nome após os desdobramentos da Operação Baest e às declarações do delegado da Polícia Civil, Romualdo Gianordoli.
Adilson nega que tenha contrato com o Estado, que tenha participado de licitação, ou qualquer relação com o criminoso preso Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo. Ele sustenta que o atentado ocorreu em meio a um cenário de forte exposição pública.
O ataque aconteceu por volta das 19h15, quando o empresário chegava em casa. De acordo com o relato, três homens encapuzados e armados desceram de um carro preto e atiraram várias vezes contra a caminhonete dele. O veículo foi atingido por cinco disparos, mas Adilson não se feriu.
“Eu não tenho inimigos, então atribuo isso aí à exposição hoje que me colocam. Me colocam aí como braço financeiro de organizações criminosas e, quando colocam você nessa situação, de repente do outro lado realmente existe uma organização que pode achar que, se eu não estou com eles eu sou rival. Um rival ali, talvez não querendo perder a sua organização pensando que eu realmente sou essa organização mesmo aí. Eu não tenho outro pensamento. Isso partiu dessa exposição, de um dossiê apresentado na Operação Baest pelo delegado Romualdo Giannordi”, disse à rádio.
Questionado sobre a relação com o traficante Marujo e que com desembargador federal preso na 2ª fase da Operação Unha e Carne, Mácario Ramos Júdice, ele detalhou: “eu comprei uma pedra bruta de mármore e o fornecedor usou o dinheiro da entrada do pagamento para comprar um casa e este imóvel teria sido vendido a alguém do Marujo. Mas eu não tenho relação com a compra da casa, apenas da pedra e a polícia está cruzando isso, me conectando com o criminoso que eu só conhecia pelas notícias”, descreveu. Já em relação ao magistrado, disse que se conhecem por tomarem vinho juntos, sem relação de intimidades.
Ouça a entrevista aqui:
Adilson Ferreira foi ouvido pela Polícia Civil no fim da manhã de quinta-feira (12), na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra. Segundo a defesa, o empresário conseguiu escapar ao se abaixar e fingir que havia sido baleado. Ainda segundo informações do advogado Douglas Luz, os suspeitos teriam permanecido por cerca de quatro horas rondando a região antes do ataque.
O caso é investigado em um contexto mais amplo. Adilson é apontado no relatório final da Operação Baest como suspeito de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. Deflagrada em maio de 2025 pela Polícia Civil, a operação apura crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e tráfico, relacionados ao braço financeiro da facção Primeiro Comando de Vitória (PCV).
A investigação resultou no bloqueio de cerca de R$ 104 milhões em contas e bens, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em diferentes estados.
A Baest também ganhou repercussão política e institucional após declarações de Gianordoli. O delegado afirmou que a operação teria alcançado interesses sensíveis dentro de estruturas de poder e citou conversas encontradas no celular do empresário com o então desembargador federal Macário Júdice Ramos.
Após a conclusão do relatório final, Gianordoli foi exonerado do cargo de subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública. Ele atribui a saída ao avanço das investigações, enquanto o governo do Estado afirma que a exoneração ocorreu por conflitos administrativos e perda de confiança.









