Empresário que sofreu atentado presta depoimento à Policia; vítima é investigada na Operação Baest

O empresário Adilson Ferreira, 54 anos, prestou depoimento no final da manhã de hoje ao Delegado Sandi Mori da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra. A polícia investiga o atentado a tiros sofrido pelo empresário, na noite desta quarta-feira (11), no bairro Jacaraípe, na Serra, quando teve a sua caminhonete atingida por cinco tiros ao chegar à rua de sua casa, por volta das 19 horas. A vítima não foi atingida.

O empresário relatou que três homens encapuzados e armados teriam desembarcado de um veículo de cor preta e efetuado os disparos contra a sua caminhonete que ficou marcada pelos tiros. Uma da bala perfurou o teto do carro, acima do para-brisa, do lado do motorista. Os suspeitos fugiram e não foram localizados durante as buscas realizadas pela Polícia Militar acionada logo após o atentado.

Simulação de ferimento para escapar
De acordo com o advogado Douglas Luz, o seu cliente escapou do ataque ao simular ter sido baleado. “Quando percebeu os disparos, ele se abaixou e simulou ter sido atingido. Diante disso, os atiradores retornaram ao veículo e fugiram”, afirmou o defensor.

Ainda segundo o advogado, os suspeitos teriam permanecido por cerca de quatro horas rondando a região antes do atentado, dentro de um carro.

Caso ocorre em meio a desdobramentos da Operação Baest
O empresário é um dos investigados na Operação Baest, considerada pela cúpula da segurança pública capixaba uma das maiores ações recentes contra o crime organizado no Estado.

Deflagrada em maio de 2025 pela Polícia Civil, a operação apura crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e tráfico de drogas, relacionados ao chamado braço financeiro da facção Primeiro Comando de Vitória (PCV). A investigação resultou no bloqueio de aproximadamente R$ 104 milhões em contas e bens, além de dezenas de mandados de busca e apreensão cumpridos em diferentes estados do país.

O relatório final da operação foi concluído em setembro de 2025 e indicou o empresário como suspeito de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas.

Delegado da Baest diz que investigação atingiu interesses sensíveis
A Operação Baest também ganhou repercussão política e institucional após declarações do delegado Romualdo Gianordoli, que participou da investigação.
Ele afirmou que a operação teria alcançado interesses sensíveis dentro de estruturas de poder e revelou que o celular do empresário continha conversas com o magistrado Macário Júdice Ramos, então desembargador federal. Preso por ligações com o Comando Vermelho no Rio de Janeiro.

Segundo o delegado, as mensagens indicariam possível interlocução envolvendo processos licitatórios e relações institucionais, o que levou a Polícia Civil a reavaliar as provas reunidas no caso.
Após o relatório final da operação, Gianordoli acabou sendo exonerado do cargo de subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, decisão que ele atribui ao avanço das investigações. Já o governo do Estado afirma que a exoneração ocorreu por conflitos administrativos e perda de confiança.

Diante das novas revelações surgidas neste ano, a Polícia Civil avalia a possibilidade de uma segunda fase da Operação Baest, que pode incluir reanálise de provas e novos desdobramentos investigativos.

O atentado contra o empresário agora passa a ser investigado dentro desse contexto, e a polícia não descarta nenhuma linha de apuração — incluindo eventual relação com as investigações do crime organizado ou disputas ligadas ao esquema financeiro investigado.

Gianordoli: a Baest atingiria delegados, empresários e um desembargador federal

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