Operação da Polícia Civil mira expansão do TCP no interior do ES e prende 19 suspeitos

Uma megaoperação da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) desarticulou um núcleo da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) que tentava expandir sua atuação de Cariacica para o município de Itaguaçu, na região serrana do Estado. Ao todo, a Justiça expediu 27 mandados de prisão, dos quais 19 já foram cumpridos, incluindo uma prisão realizada em Eunápolis, na Bahia.

A operação foi conduzida pela Delegacia de Polícia (DP) de Itaguaçu, com apoio de equipes da Região Noroeste, DHPP de Cariacica e equipes K9 da Polícia Militar (PMES). Durante as ações também foram apreendidos armas de fogo, drogas e dinheiro.

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, Jordano Bruno, a investigação mostrou a capacidade das delegacias do interior em conduzir operações complexas contra o crime organizado.

“Eles mapearam e identificaram uma organização criminosa do TCP se instalando no município. Conseguiram identificar criminosos oriundos de Cariacica que estavam tentando instalar o núcleo da facção na região de Itaguaçu”, afirmou.

De acordo com a corporação, os investigados respondem por crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e uso ilegal de armas de fogo.

Investigação começou após homicídio em 2024

O titular da Delegacia de Polícia de Itaguaçu, Renan Alves dos Santos, explicou que a investigação começou após a polícia identificar a presença de criminosos de Cariacica atuando em Itaguaçu em meados de 2024.

Segundo ele, o primeiro homicídio relacionado ao grupo ocorreu em setembro do ano passado, no bairro Florêncio Herzog, conhecido como Barro Preto.

“A partir desse homicídio iniciamos um trabalho mais direcionado de investigação. Fizemos buscas, análises de celulares e fomos montando um quebra-cabeça que culminou nessa operação”, explicou.

As investigações apontaram que traficantes locais se associaram a integrantes do TCP de Cariacica para assumir o controle do tráfico em Itaguaçu. Criminosos da Grande Vitória alugavam imóveis na cidade serrana e passavam a atuar no município sem possuir qualquer vínculo com a região.

Grupo é suspeito de homicídios ligados à disputa do tráfico

A Polícia Civil também relaciona o grupo investigado a pelo menos três homicídios em Itaguaçu, motivados pela disputa do tráfico de drogas.

Um dos casos citados pelo delegado foi o assassinato de Giovanni Martins, conhecido como “Terrível”, morto em 5 de maio deste ano no centro da cidade.

Segundo a investigação, Giovanni atuava no tráfico local e se recusou a aderir ao grupo criminoso. Ele teria sido ameaçado antes de ser executado em um local movimentado, próximo a um posto de combustíveis.

“Mesmo sendo uma área com câmeras e circulação intensa de pessoas, o autor acreditou que não seria identificado. Conseguimos identificá-lo após intensa análise das imagens”, disse Renan Alves dos Santos.

Outro homicídio investigado ocorreu em março deste ano e também estaria ligado à disputa territorial do tráfico.

Liderança foi localizada na Bahia

Entre os presos está um dos apontados como líderes da organização criminosa, identificado como Jefferson Caldeira. Segundo a polícia, ele também era investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cariacica.

Conforme as investigações, ele fugiu para a Bahia após o avanço das apurações, mas acabou localizado e preso em Eunápolis após trabalho de inteligência policial.

Outro investigado citado pela polícia é Cristian do Nascimento Batista, apontado como suspeito de homicídios em Itaguaçu e Cariacica, além de um roubo. Mesmo já estando preso anteriormente, novos mandados foram cumpridos contra ele no âmbito da operação.

Operação da Polícia Civil mira expansão do TCP no interior do ES e prende 19 suspeitos
Jefferson Caldeira e Cristian do Nascimento Batista – Foto: divulgação/PCES

Facção utilizava Itaguaçu como rota de expansão e refúgio

As investigações também apontaram uma dinâmica de circulação dos criminosos entre Cariacica e Itaguaçu.

Segundo o delegado, integrantes da facção usavam o município serrano tanto para expandir o tráfico quanto como refúgio diante da pressão policial na Grande Vitória. Em alguns casos, criminosos deixavam Cariacica e se estabeleciam temporariamente em Itaguaçu. Em outros, faziam o movimento inverso quando percebiam que estavam sendo monitorados pela polícia.

Uma mulher presa durante a operação em Cariacica, por exemplo, seria ligada à cúpula do grupo criminoso e fazia parte dessa estrutura de apoio ao tráfico.

Polícia afirma que objetivo é impedir avanço de facções no interior

O delegado-geral Jordano Bruno afirmou que a operação reforça o combate à interiorização das facções criminosas no Espírito Santo.

“A gente vai limpando o interior do Estado da atuação dessas facções criminosas, mostrando que aqui no Espírito Santo facção criminosa não vai ter domínio de território”, declarou.

A operação contou com cerca de 25 policiais civis em Itaguaçu, além de equipes de Cariacica e apoio operacional da Superintendência Regional Noroeste.

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