Antes de mais nada, preciso esclarecer que esse não é um texto sobre desesperança. É um desabafo que gostaria de ter dado há algum tempo. E o trágico assassinato da Comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, tornou inadiável que admitamos algo como homens: nós falhamos.
Sim, fechamos os olhos para – o número é estarrecedor – 70 (setenta, isso mesmo) casos de violência doméstica por dia no Espírito Santo. Até que, uma mulher Comandante, aquela que fez história ao chegar na mais alta patente da Guarda Municipal, é assassinada. Assassinada fruto de… violência doméstica. Aquela mesma violência contra a qual ela era uma expoente da luta. Aquela mesma violência que ela combateu com tanta competência que seu trabalho resultou num número recorde em Vitória: 650 dias sem feminicídio… até, infelizmente, ela se tornar a vítima que retornou a contagem ao marco inicial.
É simplesmente bizarro. Uma mulher que é a mais alta representante da segurança de uma Capital contra a violência de gênero, ser covardemente assassinada, vítima de um homem violento. Por uma outra pessoa que também, supostamente, representava segurança: um policial rodoviário federal. Que, inclusive, já respondia a um processo disciplinar dentro da PRF por importunação sexual contra uma ex-agente da corporação. Um homem que, segundo relatos do pai da vítima, era reiteradamente violento com ela. E que, não aceitando o fim do relacionamento, a alvejou covardemente enquanto ela dormia, com cinco tiros na cabeça, sem chance alguma de defesa. Depois, tirou a própria vida. Deixou uma menina de 8 anos órfã de mãe.
Não tem como não admitir: nós, homens, falhamos.
Falhamos quando, responsáveis por dirigir a imensa maioria das corporações, como é o caso da PRF, não protegemos nossa sociedade e nossas mulheres, deixando com que gente emocionalmente incapaz de representar a autoridade que tal corporação exige, a represente. Poderíamos, como os principais representantes dos poderes que ainda somos, nos juntar e fazer, imediatamente, uma reforma estrutural nas corporações da segurança pública brasileira – que aliás é debatida há décadas! – que impedisse desfechos trágicos como esse, indesculpavelmente tão constantes em nosso país “cristão”. Mas temos outras prioridades, que não a vida daquelas de quem nascemos. Somos covardes. Somos omissos. Nós, como homens, falhamos.
Mas isso é somente a ponta do iceberg. Nós, homens, falhamos. Falhamos, porque, nos orgulhando do papel de líderes em quase todas as esferas, usamos do poder que nos é conferido para nos sentirmos superiores, para explorarmos, para oprimirmos, para fazermos guerras – a história da humanidade mostra isso desde sempre – e para abusarmos (violentarmos) moralmente, fisicamente, sexualmente e, por fim, matarmos aqueles que deveríamos servir – o maior homem que pisou na Terra deixou claro que o verdadeiro líder é um servo. Usamos do poder que nos é conferido para satisfazer nosso ego, que nunca está saciado, fruto do nosso orgulho desvairado. Estamos sempre em busca de poder/dinheiro, fama e sexo. Somos maus. Nós, homens, falhamos.

O homem que a sociedade produziu – e a cultura ratificou
Três dias antes do triste assassinato da nossa Comandante, escrevi um texto aqui mesmo, no Fé Pública – aliás a última coluna escrita, que lástima – sobre um tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo que também não aceitava o fim de um relacionamento com uma soldado e também covardemente a assassinou a tiros. Em suas palavras: “Casamento é uma via de mão dupla. Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo (…) Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa. Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser“.
Quando leio uma fala dessas de um homem de alta patente do órgão máximo da Segurança Pública do mais populoso estado brasileiro, é preciso admitir: nós, como homens, falhamos. Mais uma vez, como principais responsáveis pelas decisões, é deprimente que homens como esses tenham sido admitidos em uma corporação que exerce o poder máximo na segurança pública. Estamos seguros, ou definitivamente condenados?
Esse tipo de visão de relacionamento – o famigerado “macho alfa” – não vem do nada.
É fruto de uma cultura machista – sim, é preciso dar o nome correto. É passado de pai para filho – a casa é a maior escola de formação masculina (vamos falar mais adiante).
É sustentando pela cultura: quantas novelas e filmes venderam a imagem de um galã mulherengo, mas que era “gente boa”, querido pelo público – e quantos homens hoje são “gente boa” com quem convém e um desgraçado com a sua mulher? O que dizer das músicas populares, que tratam a mulher com um objeto descartável de desejo e glamourizam a visão do homem como cafajeste?
Muitas vezes, é preciso admitir, o machismo é ratificado pela religião. E aqui vou fazer uma crítica do próprio cristianismo – a religião que professo – moderno: o analfabetismo bíblico tem sido uma chaga nas lideranças religiosas, sobretudo com a expansão desgovernada de igrejas de tudo quanto é tipo. Pastores machistas defendendo uma visão antibíblica do papel de homem e mulher, seja por mau-caratismo, por preguiça de estudar ou por analfabetismo bíblico mesmo. Quando têm reverência pela Palavra de Deus e pelo Evangelho, se omitem a tratar esse assunto de púlpito ou organizar grupos para discipular homens à semelhança de Cristo. Isso é omissão, e omissão é pecado!
A masculinidade à luz de Cristo é um assunto que grita a plenos pulmões para ser pregado de púlpito com autoridade, e pregado com certa frequência, porque os números de violência doméstica – inclusive exercido por membros da igreja sim, não estamos livres dessa chaga, infelizmente – são absurdos no Brasil: em 2025 foram 10.137 casos por dia, sendo o tipo de violência interpessoal mais constante no País!
Diante da escola doméstica, da ajuda da cultura e até, muitas vezes, da ratificação ou omissão religiosa, é claro que o comportamento do “macho alfa” não é somente praticado, mas normalizado pela sociedade.
Isso foi ensinado, é pedagógico e segue uma sequência como mostrado anteriormente. Não poucos homens compartilham desse tipo de visão. O pior é que muitas vezes associam isso a padrões bíblicos (no texto da coluna anterior mostrei porque essa visão do “macho alfa” é uma distorção absurda do homem bíblico).
Nós, como homens, falhamos, porque nós não impedimos que essa desgraça de cultura de “macho alfa” dê seu último respiro em nossa geração. Nós homens fomos omissos, porque não educamos nossos filhos. Fomos burros, porque não conseguimos olhar para a cultura e discernir o poder dela para ratificar padrões que causam morte (literalmente). Fomos preguiçosos e covardes (e também burros) porque não entendemos um texto tão sublime como o Evangelho de Cristo, discernindo no Espírito o que significa liderança servidora, e não peitamos gente mal caráter que usa a religião para ensinar o que destrói.
Nós, homens, falhamos!

Homem no casamento: o padrão que vai ditar a sociedade
A coisa mais séria é que isso começa na forma como nós, homens, maridos, tratamos as nossas esposas. Se você pensar bem, vai entender que esse é o padrão que vai ditar toda uma sociedade. Toda.
Entre comigo nessa reflexão:
Se exemplos ensinam muito mais do que palavras (até porque, quantos homens que um dia disseram “eu te amo” assassinaram suas companheiras?) então a maior escola de tratamento de um homem para uma mulher é a forma como o pai dele trata a sua mãe. A “escola da formação de homens” começa aí. Os vínculos mais fortes e profundos de um filho estão nos pais e, portanto, o exemplo deles será o primeiro e mais significativo.
A forma como um filho vê seu pai tratando a sua mãe é fundamental nesse quesito, então, e é o primeiro parâmetro que ele terá de como tratar uma mulher. As atitudes do pai falam muito mais do que as suas palavras: palavras só serão verdade para o filho quando se tornarem vivas na vida do pai.
Além do exemplo, pais que, intencionalmente, instruem seus filhos em como tratar uma mulher de forma exemplar, certamente cumprirão um papel gigantesco para a sociedade no que diz respeito à segurança feminina, porque esse é o verdadeiro papel de um pai e marido: amar sua esposa (em ações) e cuidar em todos os sentidos possíveis de sua família – o que inclui instruir seu filho claramente na vida e, consequentemente, no trato com as mulheres.
O padrão de homem: Jesus Cristo
Perceba que até agora nem usei a Bíblia para sustentar a minha argumentação, mas passo a falar agora das Escrituras a uma sociedade em que a maioria das pessoas são deusas de si mesmas – sim, até mesmo muitas religiosas, até mesmo as que se dizem cristãs. Isso significa que quando não temos uma referência de homem, sobretudo quando o nosso pai foi um traste com nossa mãe, podemos ter nosso coração enganoso como referência, o que é extremamente perigoso.
Frequentemente, vamos encontrar um homem desequilibrado: ou que excede no seu tratamento, sendo violento e dominador; ou que se omite em suas funções de proteger, cuidar, prover (sim, o homem tem um papel neste sentido, mas isso não significa que a mulher não possa trabalhar e até ganhar mais; leia mais aqui) e liderar servindo.
É por isso que a Bíblia chama os maridos a amarem suas esposas de forma prática e de forma sacrificial, “como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Efésios 5.25). Ou seja: ao invés de dominar, explorar, abusar, violentar, oprimir ou matar… servi-las em amor – servir, não dominar! – fazendo a elas todo o bem que elas precisam que seja feito a elas, protegendo-as fisicamente, emocionalmente e espiritualmente, carregando sim, o fardo mais pesado, de modo que, se alguém precisa sofrer e sangrar, que seja o homem. Não para cobrar o esforço, não para depois se tornar um tirano exigindo da mulher que seja “uma beta fêmea submissa”… Mas por amor e obediência alegre ao Senhor que deu a sua própria vida, sangrando até a humilhante morte de cruz, para lhe salvar (da escravidão ao pecado que fere o próximo; das garras do inimigo de nossas almas; na morte eterna e um destino sem Deus).
Ainda que você não considere que Jesus Cristo é o Filho de Deus, que Deus Pai o enviou para ser o sacrifício perfeito pelo perdão dos pecados de todos os que nEle creem (João 3.16) – e para ser o nosso exemplo de homem perfeito, que agrada ao Pai; para ser o nosso Mestre, a quem somos chamados a ser discípulos e aprender dEle – precisa ser intelectualmente honesto e admitir que não há, na história da humanidade, um exemplo de homem que pratica a justiça, que ama o próximo de forma prática e que honra as mulheres colocando-as no mesmo patamar de dignidade dos homens, tão excelente quanto Jesus Cristo.
Disse isso, porque, defendendo que a maior escola de formação de homens é a paternidade – e mais especificamente o trato relacional entre pai e mãe, marido e mulher – pais que têm o firme exemplo de Cristo e o consideram Deus e Senhor sobre suas vidas, que são verdadeiramente – e não somente de boca – convertidos a Cristo, têm uma grande oportunidade de criar filhos que amem, respeitem e sirvam as mulheres (instruir os filhos em Cristo é uma chamada do Senhor para pais).
Óbvio, que cada pessoa responderá por seus atos diante de Deus – maridos, esposas, filhos, pais… – mas o pai, especificamente, tem dois trabalhos primordiais a exercer diante de Deus: amar a sua esposa sacrificialmente e instruir seus filhos em Cristo. E, sendo ele fiel neste sentido, terá feito sua parte e contribuído na maior qualidade possível para a formação de uma masculinidade saudável em seu filho.

Fundamento da masculinidade de nossa sociedade
Essa formação doméstica do homem é o fundamento da masculinidade da sociedade. De modo que, filhos cujos pais menosprezam a mãe, tendem a repetir o exemplo com outras mulheres – observe que aqui vou usar o verbo “tender”, que é algo provável, mas não uma certeza; filhos cujos pais homens se separaram por “serem vacilões” com as mães, tendem a vacilar com outras mulheres; filhos cujos pais homens são mulherengos e tratam a mulher como objeto para satisfazer seus prazeres e vontades tendem a fazer o mesmo com essas mulheres; filhos cujos pais foram violentos com suas mães, tendem a reproduzir o comportamento com outras mulheres.
Sendo os pais homens essas figuras de referência centrais de masculinidade na formação dos filhos, exercem uma influência máster. Quando se arrependem verdadeiramente do mal que fizeram, também podem ser um exemplo para eles. O ponto é: pais (pai e mãe) são o maior afeto e representam os laços mais intensos e profundos dos filhos; a relação entre eles surtirá efeito poderoso na formação dos mesmos. Como estamos focando em homens, então a figura do marido como um bom homem para sua esposa é central para esse filho, que se tornará um futuro homem na sociedade.
Confissão de servo, marido e pai
Falo isso na pessoa de um servo de Jesus Cristo como marido há 14 anos e pai de duas meninas: uma de 12 e outra de 4 anos. É claro que eu não sou um marido perfeito e nem um pai perfeito. Mas busco constante transformação na pessoa do homem perfeito, Jesus Cristo ressurreto, através de um relacionamento com ele que santifique meu coração cada vez mais à semelhança de meu Mestre.
Quando olho para meu relacionamento com a minha esposa há 14 anos, e comparo com os dias de hoje – tive um encontro pessoal com o Cristo há 13 anos – vejo uma diferença assustadora. Endosso o que diz uma famosa frase de autoria controversa: “Eu não sou o que deveria ser. Não sou o que gostaria de ser. Mas, graças a Deus, já não sou mais o que eu era”. Minha esposa também enxerga essa diferença. Minha filha de 12 anos, que também sofreu por momentos conturbados de nosso relacionamento em seus primeiros anos de vida, também atesta isso.
Se pais de meninos têm a grande responsabilidade de formá-los para aprenderem a não tratarem as mulheres como objetos da satisfação de seus desejos e prazeres – mas como pessoas que portam a mesma dignidade diante de Deus, que precisam ser honradas, respeitadas e amadas com atitudes práticas – pais de meninas, como eu, precisam, além de dar o exemplo prático de amor com o tratamento honroso de sua esposa, estender esse amor que se demonstra em ações à filha, no intuito de duas coisas: ser, na vida dela, um exemplo do amor do Pai, fazendo-a entender que ela já é amada por Deus, Aquele que a criou, e pelo seu pai terreno, que tem a responsabilidade de cuidar dela, instruindo-a nos caminhos de Cristo – de forma que ela não busque em relacionamentos preencher esse vazio que só Deus pode preencher, o que muitas vezes é a ruína de muitas vidas; e demonstrar um parâmetro de homem que deve ser uma espécie de “corte” na vida dela, tanto nas suas escolhas de amizade, quanto quando chegar o tempo dela se relacionar (como, às vezes, ensinar a ela do homem à semelhança de Cristo pode soar distante, apesar dos relatos bíblicos que nos revelam Seu caráter, então nós, pais, seremos o exemplo de Cristo mais próximo e palpável que elas terão e buscarão em um homem).
Aprendendo a se defender
Infelizmente, na sociedade em que vivemos, creio que chegamos em um tempo em que a mulher precisa aprender a se defender. Vivemos num mundo que jaz no maligno, que não é e nem será perfeito. Quando mais nova, minha filha de 12 fez judô – arte marcial que também pratiquei durante muito tempo – mas a dificuldade de deslocamento na época nos impediu de continuar. Agora, ela acabou de entrar na adolescência, e estou procurando alguma arte marcial que ela goste e tenha prazer em aprender (conversei sobre karatê ou muay-thai). Não quero masculinizá-la, mas ajudá-la a educar seu corpo para se defender em situações em que for exigida (tomara que não precise!).
Obviamente, para nós, que cremos em um Deus soberano (que governa todas as coisas de acordo com a sua vontade – que é boa, perfeita e agradável –, que tem planos de bem para aqueles que nEle creem, e que faz “todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e são chamados de acordo com o seu propósito (…) para que sejam conformes à imagem de seu Filho” – Rm 8.28-29) oramos a Ele, confiando em Sua providência graciosa para a proteção de nossas filhas e para que suas escolhas e decisões sejam fruto de um coração que ama e serve ao Senhor, guiado pela Sua sabedoria.
Oração e imperfeição
Particularmente, eu oro não somente constantemente pela proteção das minhas filhas, mas desde muito cedo, também oro pelos seus futuros maridos, para que sejam homens que as ame exatamente com a Palavra de Deus versa: “como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela”.
Esse é o exemplo de pai que eu tento, todos os dias ser para as minhas filhas. Esse é o tipo de marido que eu tento, todos os dias ser, para a minha esposa. Como já disse, não sou o que gostaria ainda. Ainda, infelizmente, cometo vacilos – às vezes até infantis. Uso palavras erradas, da forma errada, e ainda consigo deixar minha esposa triste com algumas atitudes. Mas, tento ser sempre sensível ao Espírito Santo de Deus que habita em mim, e que incomoda o meu coração quando peco. Tento buscar verdadeiramente o arrependimento – que mais do que desculpas, é entender o pecado, abominá-lo, e lutar contra ele para que não seja mais cometido.
Não sou perfeito e nunca serei. Mas sigo vivendo a vida e olhando para o homem-Deus, aquele que é o homem perfeito, o exemplo perfeito de masculinidade. Aquele que, por ter nos formado desde o ventre de nossa mãe, é o único que pode transformar os nossos corações de pedra em corações de carne, que amam verdadeiramente como Ele nos amou, de forma verdadeira, doadora, sacrificial, servindo para o bem do próximo.

Nós falhamos… mas podemos mudar
E olha só onde chegamos. Começamos o texto com profundo pesar, afirmando que, nós, como homens, falhamos. Lembra que disse no início que este texto não é sobre desesperança? Pois é. O verbo está no passado, pretérito perfeito: falhamos.
Mas, se você leu até aqui e nada disso fez diferença na sua percepção, na sua vida, então a sentença pode estar no presente. Nós, como homens, falhamos. Ou seja: continuamos falhando e continuaremos a falhar, porque não aprendemos nada, mesmo diante da morte daquela que personificava a luta pela dignidade feminina.
A morte de Dayse nos lembra da realidade trágica de um mundo que continua escravo do pecado, de um mundo que jaz no maligno; de um mundo em que homens se utilizam de sua superioridade física e de suas posições privilegiadas para dominar e oprimir; de um mundo em que esses mesmos homens que ocupam os poderes que podem mudar realidades trágicas, como a morte de mulheres por sua condição de mulher, se omitem…
Nós, homens falhamos, sim. Isso é fato.
Mas podemos mudar.
E Aquele que nos criou pode, e tem todo o interesse de transformar o nosso coração corrompido pelo pecado, descontroladamente sedento por poder, dinheiro, fama, sexo e prazeres egoístas dos mais diversos que alimentam o nosso ego – mas que inviabilizam a vida do próximo – em um coração que serve o próximo em amor, que se doa pelo bem do próximo, que se alegra em sacrificar seus prazeres pessoais para que seu próximo tenha vida.
Homens, somos responsáveis diretos pela situação deplorável de nossa sociedade – mais especificamente pela violência e matança de mulheres. Diante de Deus temos uma responsabilidade de cuidar e proteger a vida de nossas mulheres.
Mas nosso coração pecaminoso precisa ser transformado para que sejamos o homem que fomos chamados a ser. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, semelhança essa que o pecado corrompeu em nós. Agora, Jesus Cristo nos chama à sua presença para que nosso pecado seja substituído pela sua santidade e cresçamos à sua semelhança, à semelhança do homem perfeito, do “Segundo Adão” – embora tenhamos a convicção de que sua obra é progressiva e não alcançaremos sua semelhança perfeita neste mundo ainda maculado pelo pecado.
Ele veio para servir e dar a sua vida em resgate de todos os que nEle creem. Ele veio para nos ensinar a sermos homens que amam a Deus e para ser o sacrifício perfeito e definitivo, ele próprio, para que, crendo nEle e em Sua obra sacrificial, nós sejamos perdoados de nossos pecados. O salário do nosso pecado é a morte, a morte eterna, é isso que merecemos por atentar constantemente contra Deus. Mas Cristo morreu a nossa morte lá na cruz do Calvário, pagando o preço em nosso lugar, para que tenhamos vida.
E, mais do que isso. A morte não o parou. Ele ressuscitou, vencendo a morte, para que todos os que nele creem não morram eternamente, mas gozem da vida eterna na presença do nosso Senhor e Salvador: em novos céus e nova terra, onde não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor, porque isso faz parte da realidade desse mundo dominado pelo pecado. Serão novos céus e nova terra onde habita a justiça, onde a alegria é perene, onde estaremos eternamente em perfeita harmonia e perfeito amor com nosso Criador.
Cristo em nós, é a esperança da glória, não somente da glória que há de vir, mas da glória daqui. E a glória aqui é desfrutar da presença maravilhosa de Cristo habitando em nossos corações, trazendo paz que excede o entendimento e operando em nossas vidas com seu poder santificador e transformador para que cresçamos à sua semelhança quanto mais nos relacionamos com Ele.

A revolução no tratamento com as mulheres vem do interior
Creio, veementemente, que a revolução em nossa sociedade terá início em corações transformados. E somente quem pode transformar corações é Aquele que os criou: o próprio Deus, na pessoa de Jesus Cristo.
Para finalizar, eu trago a minha vida como exemplo. Graças a Jesus Cristo, o padrão de homem que eu era – um homem que, antes, machucou o coração de algumas mulheres (e não se engane: vidas são muito preciosas e sensíveis, de modo que o tratamento indigno deixa marcas que podem mudar o rumo de histórias) – foi completamente transformado. Por amor a Cristo e à minha esposa, busco seguir o exemplo de meu Senhor, servindo-a em amor. Ela vive essa diferença e as pessoas enxergam isso – embora, como dito, ainda precise trabalhar em muitas coisas.
Cristo mudou a minha vida, me transformou em um novo homem e eu vivo minha vida olhando para O Homem Perfeito, tentando imitá-lo. Tenho certeza que isso é o melhor que eu posso fazer para o bem da minha esposa e das minhas filhas, que daqui a alguns anos se tornarão mulheres e farão suas escolhas de convivência e relacionamentos. Quero ter a consciência de que fiz o meu melhor em exemplo e instrução e as preparei para realizarem escolhas sábias e prudentes.
Portanto, homens, façam o mesmo com seus filhos meninos. Amem suas esposas, instruam seus filhos no trato digno com as mulheres, e sigam o exemplo de Cristo. Este é o primeiro e mais importante, profundo e poderoso passo a ser dado para mudar a triste realidade da violência de gênero que assola nosso Estado e País.
Se você ainda não recebeu Jesus como Salvador e Senhor de sua vida, te convido a orar sinceramente comigo, entregando a sua vida a Ele neste momento:
“Senhor, confesso que pequei contra Ti das mais diversas maneiras e até agora vivi ignorando a Sua presença, como se o Senhor não existisse. Me perdoa. Confesso, neste momento que creio no Senhor, creio que o Senhor se entregou à morte de cruz em meu lugar, para me perdoar dos meus pecados, e ressuscitou para a minha justificação, para me dar a vida eterna. Quero confessar que tu és o meu Salvador e, a partir de agora, o Senhor da minha vida. A ti me entrego neste momento. Amém”.
Andar com Cristo é um processo diário. E, por isso, Ele nos chama a sermos discípulos dEle que aprendem com Ele a cada dia. A Igreja é a comunidade de discípulos de Cristo, chamada a ensinar sobre Ele, discipulando pessoas de todas as tribos, povos, raças e nações nos caminhos do Senhor. Se você quer ser acompanhado neste processo, nos chame através do WhatsApp (27) 99973-5220, que teremos a alegria em Cristo de te ajudar.
No amor de Cristo,
Gustavo Gouvêa










