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22 de julho de 2024
segunda-feira, 22 de julho de 2024

Cristãos e as eleições #1: a simpatia de Deus para com os pobres

*A partir da semana que compreende o dia 6 de abril – quando faltarão exatamente 6 meses para as eleições municipais de 2024 (6 de outubro) – a coluna Fé Pública publicará semanalmente textos nos quais pastores e demais líderes abordarão aspectos bíblicos que consideram necessários levar em conta na hora de escolher os representantes. 


O Reino de Deus, a Igreja, a política e os pobres, por Jorge Rodrigues Neto

Cristãos e as eleições #1: a simpatia de Deus para com os pobres“A igreja foi organizada não somente para buscar o bem-estar eterno de seus seguidores, mas também para remover as injustiças sociais […] Quando ricos e pobres se opõem uns aos outros, [Jesus] nunca fica do lado dos ricos, mas sempre do lado dos pobres […] Ele se colocava invariavelmente contra os poderosos e aqueles que viviam luxuosamente, e a favor dos que sofriam e eram oprimidos.Abraham Kuyper, séc. 19, teólogo protestante, político conservador holandês.

Para quem segue Jesus de Nazaré, os valores do Reino de Deus e os princípios do Evangelho devem ser norteadores de todas as suas ações no mundo, inclusive na política. A preocupação com o pobre e o necessitado é uma agenda do Reino de Deus muitíssimo antes de se tornar parte de agendas políticas da modernidade ou de ideologias modernas específicas.

Ao observarmos as Sagradas Escrituras, tanto o Antigo quanto o Novo Testamento,  vemos de forma contundente que a perícope destacada acima escrita pelo político conservador cristão Kuyper faz todo o sentido. Ou seja: socialmente falando, Deus tem lado sim, e é o dos menos favorecidos. Salvificamente falando, Deus deseja que todos se arrependam e sejam salvos pela graça de Cristo, entretanto, socialmente falando, nosso Senhor se identifica prioritariamente com os que são ultrajados nesse e por esse mundo desigual e desumano.

Deus pobres
Abraham Kuyper foi um político, jornalista, estadista e teólogo holandês. Ele fundou o Partido Anti-Revolucionário e foi Primeiro-Ministro dos Países Baixos entre 1901 e 1905. Foi um dos expoentes do Neocalvinismo, em especial o Neocalvinismo Holandês

Não há um texto sequer no texto bíblico relatando o Senhor ser “o Deus dos ricos”, “o Deus dos poderosos” ou “o Deus dos abastados”. Ao contrário disso, há um sem números de textos bíblicos reforçando a ideia kuyperiana sobre a simpatia de Deus com os pobres, as viúvas, os órfãos, os desvalidos e os necessitados.

Vejamos alguns textos no Antigo Testamento:

“Pois o Senhor, o seu Deus, é o Deus dos deuses e o Soberano dos soberanos, o grande Deus, poderoso e temível, que não age com parcialidade nem aceita suborno. Ele defende a causa do órfão e da viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe alimento e roupa” (Deuteronômio 10.17,18)

“Se alguém do seu povo empobrecer e não puder sustentar-se, ajudem-no como se faz ao estrangeiro e ao residente temporário, para que possa continuar a viver entre vocês. Não cobrem dele juro algum, mas temam o seu Deus, para que o seu próximo continue a viver entre vocês. Vocês não poderão exigir dele juros nem emprestar-lhe mantimento visando a algum lucro. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês, que os tirou da terra do Egito para dar a vocês a terra de Canaã e para ser o seu Deus” (Levítico 25.35,38)

“Assim diz o Senhor: Administrem a justiça e o direito: livrem o explorado das mãos do opressor. Não oprimam nem maltratem o estrangeiro, o órfão ou a viúva; nem derramem sangue inocente neste lugar” (Jeremias 22.3)

“Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante?” (Isaías 58.6,7)

“Quem oprime ao pobre insulta aquele que o criou, mas a este honra o que se compadece do necessitado” (Provérbios 14.31)

Agora, alguns textos do Novo Testamento:

“Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mateus 25.34-40)

“Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza vocês se tornassem ricos” (2 Coríntios 8.9)

“Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus?” (1 João 3.17)

“Mas, quando der um banquete, convide os pobres, os aleijados, os mancos e os cegos. Feliz será você, porque estes não têm como retribuir. A sua recompensa virá na ressurreição dos justos” (Lucas 14.13,14)

Deus pobres
Parábola do Rico e Lázaro: “‘Filho’, respondeu-lhe Abraão, ‘lembra-te de que durante a tua vida tiveste tudo quanto querias, enquanto Lázaro nada teve! Ele está aqui a ser consolado e tu estás em tormentos” (Lucas 16.25)

“A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tiago 1.27)

“Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que para o mundo são pobres, para serem ricos em fé e herdeiros do reino que ele prometeu aos que o amam? Entretanto, vós outros menosprezastes o pobre. Não são os ricos que vos oprimem e não são eles que vos arrastam para tribunais?” (Tiago 2.5,6)

Compromisso social de Deus com os pobres

Poderíamos citar aqui inúmeros outros textos das Sagradas Escrituras reiterando o compromisso social de Deus com os marginalizados desse mundo, enfatizando o interesse de Deus pelos mais pobres.

Se isso é importante para Deus, deve ser também para o povo de Deus.

Cristãos e as eleições #1: a simpatia de Deus para com os pobres
Jorge Rodrigues Neto é pastor e teólogo

Os servos e servas de Deus que estão na política precisam ter um compromisso real com a agenda de Cristo para o mundo, e essa agenda passa, inexoravelmente, pelo desenvolvimento de políticas públicas que possam trazer alento e fazer valer os direitos daqueles e daquelas que, por terem situação econômica desfavorável, não podem, sem o auxílio do Estado, viver uma vida digna nesse mundo decaído.

Valores do Reino de Deus

Vem chegando mais um período eleitoral no Brasil. Teremos mais uma oportunidade de escolher representantes que, de fato, tenham compromisso com os valores do Reino de Deus.

Procuremos conhecer a história de vida e as propostas reais daqueles que se intitulam servos e servas de Deus e que almejam a política.

Verifiquemos se suas agendas estão adequadas aos valores do Reino de Deus, pois os princípios do Evangelho estão acima das ideologias humanas ou preferências partidárias. Nada, para quem segue de verdade a Jesus, está acima do Reino de Deus.

O importante não é ser de direita, de centro ou de esquerda. Também não importa ser conservador ou progressista. O que importa, de verdade, para os seguidores e seguidoras de Jesus é viver os valores do Reino de Deus e os princípios do Evangelho.

Abraços fraternos,

*Jorge Rodrigues Neto é Pastor (serve na Primeira Igreja Batista da Cidade da Serra-ES), Teólogo, Especialista em Direitos Humanos e Servidor Público Efetivo

 

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Comentários
  1. Boa a matéria e a abordagem. Apesar de vislumbrar de forma mais profunda o assunto. Sei que a abertura falou que as matérias serão apartidárias e é isso que penso não pender para lado nenhum porém também não sem foco e propósito. O evangelho no contexto bíblico não é para pobre ou rico, mas para pessoas pecadoras que carece da Graça Salvadora de Jesus. Se entrar por essa vertente é muito perigoso e desproporcional para objetivo do Evangelho. Nas academias teológicas em geral somos alertados em todo o tempo sobre isso. Penetrando isso na Igreja seremos mais um grupo a proporcionar a divisão. *_Na antropologia somos confrontados a sempre compor a cultura (nós e eles) se tornando somente nós_*, e não criar brecha ou base para segregar, dividir ou excluir. Entendi o texto e seu teor, mas a política como a igreja precisa ser igual para todos tanto rico como pobre, brancos e pretos, altos e baixos, gordos e magros e religiosos ou não. A política pública não cabe separação e no corpo de Cristo também. Na minha opinião a forma da igreja fazer a diferença é assimilar e propagar essa verdade bíblica tal como a salvação em Jesus.

    • Boa tarde, irmão!

      A paz do Senhor.

      O irmão permite que eu discorde de seu comentário?

      Ao contrário da fala do irmão, devemos oferecer acolhimento e olhar diferente para cada pessoa.

      Na minha opinião, é lpreciso ter sim preocupação maior com os que mais necessitam.

      Muito obrigada pela atenção.

  2. 1 – DEUS NÃO EXISTE.

    2 – DIREITA E ESQUERDA SÃO DIFERENTES SIM.

    3 – BOA PARTE DA DIREITA USA A FÉ PARA GANHAR VOTO.

    4 – O TEXTO COMEÇA BEM, MAS CAI NO DISCURSO CONSERVADOR.

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