Entre a advocacia e a fé: o compromisso social e jurídico de Jailson Mendes

Nascido em Belo Horizonte, Minas Gerais, Jailson Andrade Mendes chegou ao Espírito Santo ainda menino, aos 6 anos de idade. Hoje, aos 45 anos, casado e pai de quatro filhos, o advogado, que passou por muitos perrengues para alcançar o sucesso profissional, está concorrendo à vaga de desembargador pelo Quinto Constitucional.

A mudança de estado veio como uma nova esperança para seu pai, pedreiro à procura de trabalho. Cariacica foi o primeiro lar da família. Lá, Jailson viveu até os 22 anos, quando a vida o levou a Vitória e, mais tarde, para São Conrado, em Vila Velha, onde reside até hoje.

A vida de Jailson começou cedo no trabalho, em meio às dificuldades. Aos 9 anos, vendia doces e balas na rodoviária de Vitória; mais tarde, passou a vender jornais e tornou-se um dos melhores vendedores da empresa para a qual trabalhava. O objetivo era claro: ajudar sua família.

A rotina o levou de office-boy a telefonista, sempre em busca de oportunidades, até que um dia, ao observar advogados que frequentavam a Receita Federal, local onde ele mesmo ia como funcionário de uma empresa de contabilidade, Jailson percebeu a profissão que desejava seguir.

“Quando eu trabalhei na contabilidade, eu era responsável por registrar os contratos sociais. Eu ia muito à Receita Federal pra fazer o pedido do Cadastro Geral de Contribuinte, que hoje é o CNPJ. E ali eu via muita gente que ia de terno, saía rápido, não enfrentava fila, fiquei curioso de saber quem eram aquelas pessoas. O chefe do setor me disse que eram advogados. Eu me interessei e fiquei aguardando o tempo certo para concluir meus estudos”, conta Jailson.

Esse sonho, no entanto, demandaria paciência e sacrifício. Após uma curta e dura passagem pela Espanha com o objetivo de ganhar dinheiro para construir uma casa, ele retornou ao Brasil sem os recursos que foi buscar e somente com experiência de vida na bagagem.

“Depois que eu voltei é que eu iniciei os estudos. Aí eu prestei dois vestibulares, um na Faces, em Vitória, e outro na UVV, em Vila Velha. Como eu morava em Vitória, aí eu optei pela Faces, depois eu transferi para a Fabavi. Às vezes, pra ir à faculdade eu ia da Avenida Vitória até a Reta da Penha andando porque não tinha dinheiro para pagar transporte”, lembra.

Com especialização em Direito Penal e Processo Penal, Jailson hoje se dedica ao Direito Criminal e atua como defensor dativo em comarcas onde não há defensores públicos, amparando aqueles que não podem pagar pela defesa. A experiência como defensor dativo permitiu ao advogado trabalhar na maioria das comarcas do Espírito Santo, conhecendo de perto suas realidades.

Além de advogado, Jailson é pastor da Igreja Assembleia de Deus. Mais que um trabalho, ele vê ambas as atividades como vocação. Questionado sobre possíveis conflitos que possam surgir entre sua fé e sua profissão, Jailson não deixa de responder. Em recente entrevista concedida ao canal da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Espírito Santo (OAB-ES) ele explicou:

“A função eclesiástica é uma vocação, assim como a função de advogado é uma vocação. São coisas distintas, não posso confundir. Nós temos um advogado por excelência, que é o Senhor Jesus Cristo. Ele não escolhe qual pecador ele vai perdoar e qual ele não vai perdoar. Na visão de Cristo, todo pecador é passível de perdão. Como advogado criminalista, meu trabalho se baseia nas provas dos autos, e minha atuação é limitada a elas. Agora, o advogado explica toda a defesa para o cliente, fala dos direitos constitucionais que ele tem, dentre eles o de permanecer em silêncio, e ele decide o que quer fazer. Como advogado atuante e cristão, eu sempre vou primar pelos princípios cristãos, e se o Senhor colocou diante de mim uma pessoa que está precisando da defesa, é claro que eu não vou me refutar a defendê-lo”, detalha.

Quem vê o jeito calmo e sereno de Jailson nem imagina que um de seus hobbies é a prática do karatê e que ele está a caminho de conquistar a faixa preta. O advogado diz que pratica a luta desde os 10 anos de idade. Hoje, ao lado da advocacia, ele desenvolve um projeto social em que dá aulas de karatê para crianças carentes, inspirado por suas próprias memórias de infância, quando ele mesmo não tinha condições de pagar por um esporte.

A vida de Jailson não foi fácil. É marcada por desafios e superações. Cada passo que ele deu para alcançar o título de advogado foi guiado por sua obstinação e pela fé em Deus. Agora, ao concorrer à vaga de desembargador pelo Quinto Constitucional, ele acredita que pode levar sua experiência no Direito Penal para o Tribunal, reforçando a importância das prerrogativas dos advogados e contribuindo com o olhar de quem conhece de perto a realidade das comarcas do Espírito Santo.

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas