“Sustentabilidade é a capacidade de suprir as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazerem as suas próprias. Envolve o uso consciente e responsável de recursos, naturais ou não”. Esse é um conceito simples, mas que na prática se mostra de difícil entendimento. Mas tem quem viva dedicado a isso, inclusive na arte.
Fernanda Vieira vive nesse propósito e o coloca em prática também no trabalho como artista. Ela assina a obra de arte instalada na praça Duque de Caxias, em Vila Velha, em meio aos festejos à padroeira do Espírito Santo, Nossa Senhora da Penha. “Fragmentos de devoção” foi construída por ela e o Instituto Goiamum utilizando mais de 3 mil tampinhas plásticas, recolhidas da natureza.
“As pessoas falam muito em “jogar fora”, mas eu brinco perguntando “fora de onde?”. Tudo está dentro do planeta. Tem gente que joga até sofá, cabide, folha de coco… o descarte errado pode ferir as pessoas, enquanto o certo pode resultar em arte ou ajudar quem precisa. Até mesmo artistas: não precisa adquirir determinados materiais para fazer arte, é preciso construir”, destacou a artista.

Fé e obra
O projeto, capitaneado pela diretora de Redação Danieleh Coutinho, veio a partir de outra causa abraçada pelo jornal. “Há alguns anos, pelo camarote Moqueca027 no desfile das escolas de samba de Vitória, buscamos oferecer a melhor experiência aos foliões – que chamamos de moquequeiros -, curtindo com sustentabilidade. Separamos resíduos, não usamos descartáveis e, em 2026, abraçamos o projeto ‘Tampinhas do Bem’, do SindiplastES. Como não existe sustentabilidade pontual, tem que começar e não mais parar, propus à empresa que mostrássemos sempre que possível como os resíduos devem ser tratados”, destacou.
A ideia, com as proximidades da Festa da Penha, foi usar, sobretudo, as tampas plásticas para uma obra de arte. “Fernanda aceitou o desafio, e o trabalho ficou incrível. Nossa proposta é convidar os devotos da Virgem da Penha a um gesto concreto de fé: assumir o compromisso com a sustentabilidade. O ‘Tampinhas do Bem’ é um exemplo disso”, explicou Coutinho.
E não foi simples ou fácil. Tanto que Fernanda Vieira precisou pensar para aceitar o projeto. “Na hora em pensei em falar ‘não’ e se fosse uma obra desse tipo, para você ou qualquer pessoa, para colocar dentro de casa, eu negaria. É um trabalho muito intenso, porque trabalhar com tampinhas, que já tem um formato mais arredondado, não é fácil. Mas o projeto, desde a concepção, e por entregarmos nesse momento em que falamos da fé do capixaba. Uma causa nobre e o resultado, quando olhei pronto, achei a coisa mais linda”, contou.
A obra de arte batizada de ‘Fragmentos de devoção’ foi construída por Fernanda Vieira, com apoio do Instituto Goiamum e o trabalho de pessoas que, assim como ela, amam arte e não deixam de cuidar do meio ambiente. Dentre eles o jovem Ângelo e o senhor José Luiz da comunidade católica de São Benedito no bairro Cachoeirinha de Santa Rosa, em Aracruz.










