A artista plástica e comendadora Nanda Vieira reafirma sua posição como um dos pilares da cultura capixaba ao assinar a obra “Fragmentos de Devoção”, peça central da identidade visual da Festa da Penha 2026. Em uma parceria estratégica com o Instituto Goiamum, a mosaicista transformou mais de 3 mil tampinhas plásticas descartadas em uma imponente e sensível imagem de Nossa Senhora da Penha. Mineira de nascimento, mas com 25 anos de atuação dedicada ao Espírito Santo, Nanda utiliza o mosaico sustentável para provar que a devoção e a arte podem caminhar juntas na preservação do meio ambiente e na valorização da memória religiosa local.
A escolha do material reciclado para uma obra de tamanha importância simbólica não é por acaso; ela reflete a trajetória de uma articuladora social que vê a cultura como direito e ferramenta de transformação. Nesta reportagem especial – uma parceria do ES Hoje com a prefeitura de Vila Velha e o SindiplastES -, exploramos como a multifacetada trajetória de Nanda — que transita entre a escrita, a produção do Festival da Canção da Serra e a liderança comunitária — culmina em sua atual fase de criação sustentável. Ao dar vida à Nossa Senhora através do plástico reaproveitado, a artista não entrega apenas uma imagem, mas um manifesto sobre o poder da união e do diálogo. “Fragmentos de Devoção” deixa de ser apenas uma obra artística para se tornar um símbolo de esperança e renovação, convidando os fiéis e o público em geral a enxergar valor onde o mundo vê descarte, e beleza onde existe a vontade de transformar.
Presidente do Instituto Chico Prego e gestora de Ponto de Cultura, Nanda Vieira carrega um currículo extenso que inclui desde a restauração de monumentos históricos, como a estátua de Chico Prego, até a gestão de políticas públicas que instituíram o Fundo Municipal de Cultura na Serra. Para ela, cada tampinha encaixada na obra da Padroeira representa uma vida, uma história e o esforço coletivo de uma comunidade que aprende a ressignificar o próprio rastro no planeta.









