A história da advogada Flavia Brandão, que concorre à vaga de desembargadora do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) pelo Quinto Constitucional, é um exemplo de como as escolhas da vida podem levar a destinos inesperados e satisfatórios. Quando ela fez o 3º ano do Ensino Médio, ela estava certa de que cursaria Letra Inglês na faculdade. Influenciada por um amigo, na hora de fazer a inscrição no vestibular ela escolheu Direito como primeira opção e Letras como segunda opção. Resultado: foi aprovada e começou a fazer Direito.
“No segundo período eu já tinha certeza absoluta que eu tinha escolhido o caminho correto pra minha vida. Mas eu queria fazer Letras. Fiz o vestibular novamente, passei, comecei a fazer o curso de Letras e fui fazendo os dois ao mesmo tempo. Em 1987 eu formei em Direito e estava no último período de Letras. Eu não concluí, eu não peguei o meu diploma. Eu fiz o curso, mas eu não tenho o diploma porque eu comecei a minha vida profissional logo que eu formei em Direito”, conta a advogada.
Mesmo sem o diploma de Letras Inglês e sem a fluência no idioma, ela encontra plena realização no Direito, demonstrando que a vida tem seus próprios caminhos e, muitas vezes, as escolhas certas nos encontram. “Na verdade, não foi eu quem escolhi o Direito, foi o Direito que me escolheu. Eu sempre digo que nada é por acaso. A vida tem caminhos que a gente desconhece. Não era para eu ser professora de inglês ou tradutora que fosse. Tenho o curso, não tenho o diploma, e hoje nem o inglês eu falo mais com tamanha fluência de quem fez um curso de Letras Inglês”, diz.
Flavia não é filha de juristas nem tem familiares na área de Direito, mas ela destaca que encontrou, ao longo da vida, pessoas que acreditaram nela e que a ajudaram a crescer. “Eu encontrei pessoas que me deram a mão, os braços, a credibilidade e a confiança. E com isso cheguei aqui. O Direito realmente me escolheu e eu não posso ser mais feliz por isso”, enfatiza.
Natural de Vitória e com 59 anos de idade, Flavia Brandão é casada há 30 anos e mãe de dois filhos: um médico de 25 anos e um profissional de marketing de 22. A infância e a juventude dela foram marcadas por um forte foco na educação, um valor fundamental passado por seus pais, ambos já falecidos.
Flavia cresceu com uma irmã e estudou no tradicional colégio Sacré-Coeur, na Praia do Canto, antes de ingressar na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde se formou em Direito. Filha de pais mais velhos, ambos já falecidos, ela teve uma educação rígida. Seu pai, capixaba, foi corretor de bolsa de valores, enquanto sua mãe, mineira, trabalhou no governo federal antes de se dedicar à família. “Ela era chefe de gabinete do Juscelino Kubitschek”, menciona Flavia.
A advogada se especializou em Direito Constitucional, em Direito Empresarial e em Direito de Família e Sucessões, além de ser mestre em Segurança Pública. Em 1988, ainda recém-formada, Flavia iniciou sua carreira como docente na própria universidade onde se formou, passando ainda por várias instituições como Universidade Vila Velha (UVV), Faculdade de Direito de Vitória (FDV), Univila e São Geraldo. Embora tenha deixado as salas de aula regulares, ainda participa de módulos educacionais, somando aproximadamente 15 anos de experiência docente.
No campo do Direito, ela atua principalmente em Direito de Família e Sucessões e em Direito Empresarial. Um momento marcante em sua trajetória profissional foi quando, durante uma reunião nas dependências da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Espírito Santo (OAB-ES), ela teve que lidar com uma ameaça de bomba enquanto seu filho de 9 meses estava em casa. Flavia não citou casos específicos a fim de preservar seus clientes, mas disse que casos de abuso infantil também a impactaram ao longo de sua carreira e ainda a impactam profundamente.
Questionada por que decidiu concorrer à vaga de desembargador pelo Quinto Constitucional, Flavia diz que há cerca de 20 anos traçou esse caminho para ela após entender a importância da representatividade e do papel do Quinto na oxigenação dos tribunais. “Eu passei 33 anos dentro da instituição OAB e eu participei das votações passadas, dos mais antigos até o mais novo. Na primeira eleição que eu participei, como membro da OAB, em que eu votei, é que eu entendi o que é a representatividade, qual é a importância do Quinto Constitucional dentro de um tribunal e para a advocacia. Foi aí que eu entendi que, num futuro, quando eu me sentisse preparada, eu colocaria o meu nome”, lembra.
Para a advogada, o Quinto Constitucional traz a tão discutida oxigenação para os tribunais, mas essa oxigenação, segundo ela, não se trata de novas pessoas chegando, e sim de profissionais com uma nova visão do Direito e do mundo jurídico. “Isso pode sim oxigenar, trazer uma nova perspectiva, um novo olhar para aqueles que vêm direto da carreira da magistratura. Muito se fala de oxigenação, mas a oxigenação não é de pessoa, é de ideias, de posicionamento”, explica.
Se Flavia Brandão for alçada à vaga de desembargadora do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, ela diz pra ela mesma que é fundamental não se esquecer de onde ela vem, não esquecendo que quem está ali buscando o direito do seu cliente precisa do seu olhar, do seu entendimento, precisa ter uma resposta rápida assim como ela, hoje, busca quando vai aos tribunais.









