O faturamento da Lume Robotics cresceu 178% em 2025 na comparação com 2024. A startup capixaba, que desenvolve sistemas de inteligência artificial para que caminhões e ônibus circulem sem motorista em áreas industriais, tem hoje 10 veículos autônomos em operação comercial e outros cinco em fase piloto, distribuídos entre seis clientes ativos — entre eles Ypê, Portocel, duas mineradoras e uma siderúrgica. A empresa não divulga o valor absoluto da receita.
O desempenho do último ano supera a média histórica da companhia. Segundo o CEO e fundador, Rânik Guidolini, a Lume cresce em média cerca de 150% ao ano desde que foi criada, em 2019. A meta agora é dobrar o número de clientes e de veículos em operação e fechar os primeiros contratos fora do país até 2027. Há negociações em andamento com empresas do Uruguai, do Chile e do México.
Onde os veículos já rodam

O maior projeto em escala está na Ypê, onde quatro caminhões autônomos fazem o transporte interno de cargas. No Espírito Santo, a tecnologia opera na Portocel, terminal portuário em Aracruz, e no complexo da ArcelorMittal Tubarão, onde um ônibus autônomo faz o transporte de passageiros.
O foco comercial está em ambientes privados com alta demanda por movimentação interna de cargas — fábricas, plantas industriais, portos e áreas de mineração. Nesses espaços, o sistema da Lume identifica obstáculos, interage com objetos fixos e em movimento e toma decisões ao longo do trajeto. De acordo com estimativas da própria empresa, a operação autônoma pode reduzir em cerca de 25% os custos operacionais, com menor consumo de combustível e menos gastos com manutenção da frota.
Caminhão elétrico sem cabine até 2027
No portfólio em desenvolvimento, o projeto de maior impacto é um caminhão elétrico sem cabine, conduzido em parceria com a Suzano e a Finep, com previsão de entrar em operação no fim de 2027. A plataforma também já foi testada fora do modal rodoviário: a Lume embarcou seu sistema em uma aeronave da Embraer para demonstrar a condução autônoma dentro de um aeroporto.
Capital capixaba na rodada
A expansão é sustentada por uma rodada de investimento de quase R$ 5 milhões, com aportes da VIX Logística e do fundo Seed4Science. Segundo a empresa, os recursos serão aplicados na consolidação da tecnologia no mercado nacional e na internacionalização. A presença de uma operadora logística entre os investidores aproxima a startup de um dos setores com maior potencial de adoção da automação no transporte interno.
Da UFES para o mercado

A Lume é resultado de cerca de uma década de pesquisa em veículos autônomos em um grupo da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Hoje, a empresa tem 42 colaboradores, a maioria formada pela universidade — um indicador da capacidade do ecossistema acadêmico capixaba de gerar mão de obra qualificada para negócios de base tecnológica.
“Era uma tecnologia que desenvolvíamos no contexto da universidade e, percebendo que ela estava em um nível de maturidade, decidimos criar a empresa para evoluir isso para um produto.” — Rânik Guidolini, CEO e fundador da Lume Robotics
A passagem do laboratório para o produto comercial teve apoio da segunda edição do Programa Centelha, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Finep e do CNPq que oferece subvenção econômica, bolsas de apoio técnico e capacitação para transformar ideias inovadoras em negócios. No caso da Lume, os recursos foram usados na contratação de colaboradores por meio de bolsas e na compra de equipamentos, viabilizando um dos primeiros projetos de desenvolvimento da empresa.
“Para empresas de deep tech, que têm um custo muito alto de desenvolvimento, iniciativas como essa são fundamentais.” — Rânik Guidolini
Em sua terceira edição, o Centelha alcança todos os 26 estados e o Distrito Federal, abrindo uma nova janela de financiamento para startups e grupos de pesquisa capixabas em estágio inicial.










