Indústrias com atuação no Espírito Santo saíram do primeiro Leilão de Gás Natural da União com acesso a uma molécula que pode custar de 40% a 45% menos do que o valor praticado hoje no mercado cativo, segundo estimativa da ES Gás. Vale, Samarco, Evonik e Biancogres estão entre as vencedoras do certame, realizado pela Pré-Sal Petróleo (PPSA) em 22 de outubro, com lotes nos segmentos de siderurgia, mineração, químico e ceramista.
O leilão comercializou todos os 110 lotes ofertados, somando 1,1 milhão de metros cúbicos por dia, com fornecimento previsto entre março e dezembro de 2027. Ao todo, 36 empresas estavam habilitadas a disputar o gás, distribuídas em cinco segmentos industriais. Os volumes arrematados por cada companhia não foram divulgados no resultado.
De onde vem a redução de 40% a 45%
Para as vencedoras com atuação no estado, o preço segue a fórmula prevista no edital: 115% do Henry Hub (HH), principal referência do gás nos Estados Unidos, acrescidos de prêmios entre US$ 1,86 e US$ 2,30 por milhão de BTU (MMBtu). Os prêmios correspondem aos lances pagos à União. Com base nessa composição, a ES Gás estima o preço da molécula entre US$ 5,85 e US$ 6,33/MMBtu, contra uma referência de aproximadamente US$ 10,59/MMBtu no mercado cativo capixaba.
A comparação, porém, vale apenas para a molécula. O custo final do gás para as indústrias inclui ainda transporte, distribuição e tributos. As vencedoras também precisarão contratar o serviço de transporte, nas etapas de entrada e saída do gás na malha, e esse custo é que vai determinar a economia efetiva de cada operação.
Quanto desse gás fica no Espírito Santo
A destinação depende da estratégia de cada empresa e dos volumes adquiridos. Samarco e Biancogres têm plantas industriais no Espírito Santo. Vale e Evonik, que também operam em outras localidades, vão avaliar a destinação mais adequada conforme suas necessidades e os lotes arrematados, segundo a ES Gás.
Mercado livre já responde por 90% do volume
O resultado do leilão se apoia em um ambiente de contratação que amadureceu rapidamente no estado. De acordo com dados da própria ES Gás, o Espírito Santo foi o primeiro estado do país a superar 90% do volume de gás comercializado no mercado livre. No segmento industrial, são oito consumidores livres atualmente.
A distribuidora atribui o avanço às mudanças regulatórias conduzidas pela Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP) e ao programa ES Mais+Gás, lançado em agosto de 2024. Para empresas que ainda compram gás no mercado cativo, o preço obtido no leilão passa a funcionar como uma referência concreta na avaliação de migração para o mercado livre.
“A maturidade do mercado livre não acontece de um dia para o outro: ela é resultado de uma trajetória de abertura, evolução regulatória e ampliação das alternativas de contratação.” Raphael Pereira, presidente da ES Gás
Para o executivo, ver quatro grandes empresas com atuação no estado entre as vencedoras confirma o peso desse ambiente de contratação. Segundo ele, a distribuidora tem contribuído para que grandes consumidores avaliem oportunidades com mais segurança e busquem condições competitivas de suprimento.
Privatizada em 2023, a ES Gás é a concessionária de gás natural canalizado do Espírito Santo, regulada pela ARSP, e integra o portfólio do Grupo Energisa. A empresa atende mais de 100 mil clientes nos segmentos residencial, comercial, industrial, automotivo, climatização, cogeração e termoelétrico.
*Valores referentes às vencedoras com atuação no Espírito Santo. Preço estimado da molécula, sem transporte, distribuição e tributos. Fontes: PPSA e ES Gás.
Nota da redação: os volumes adquiridos por cada empresa não foram divulgados no resultado do leilão. A estimativa de redução de 40% a 45% foi calculada pela ES Gás e compara apenas o preço da molécula. O indicador de 90% do volume no mercado livre tem como fonte dados da própria distribuidora.










