Fraudes custam 6 vezes mais que o valor perdido no Brasil, diz estudo

O custo das fraudes para instituições financeiras no Brasil é 6,35 vezes superior ao valor perdido diretamente nas operações. É o que aponta estudo da empresa global de dados e prevenção a fraudes LexisNexis Risk Solutions.

Segundo o relatório anual de 2025, cada dólar perdido em fraudes gera um custo total de US$ 6,35 para as empresas do país. Além das perdas financeiras diretas, há despesas com investigação e prevenção, compliance e exigências regulatórias, perda de clientes e receitas, danos à reputação e gastos jurídicos.

A pesquisa ouviu 121 executivos das áreas de risco e prevenção a fraudes dos setores financeiro e de crédito no Brasil, Argentina, Colômbia e México entre setembro e outubro de 2025.

A média da América Latina é de US$ 6,86 em custos para cada dólar perdido em fraude. Na Argentina, o valor é de US$ 6,44; no México, de US$ 7,22; e na Colômbia, de US$ 7,46.

O estudo considera diferentes modalidades de fraude, incluindo as cometidas pelo próprio titular da conta, como declarações falsas, reivindicações fraudulentas e abuso de reembolsos; fraudes praticadas por terceiros, como roubo de identidade, invasão de contas e uso de contas laranjas; e identidades sintéticas, que combinam informações reais e falsas para criar novos perfis fraudulentos.

O levantamento também estimou o número médio mensal de tentativas e também de fraudes concluídas nas empresas. Na América Latina, são registradas, em média, 2.915 tentativas por mês, das quais 856 são bem-sucedidas.

O Brasil lidera tanto em tentativas quanto em fraudes concluídas, com médias mensais de 3.657 e 1.243 casos, respectivamente. A Colômbia registra 2.833 tentativas e 659 fraudes concluídas.

Empresas do México e da Argentina enfrentam, em média, 2.596 e 2.550 tentativas de fraude por mês. Dessas, 734 e 764, respectivamente, são concluídas com sucesso.

Para Rafael Costa Abreu, diretor de fraude e identidade para a América Latina da LexisNexis Risk Solutions, o principal desafio é que a fraude não se limita mais às perdas financeiras diretas. “Cada incidente gera custos adicionais com investigação, atendimento ao cliente, reembolsos, compliance, adequação regulatória e investimentos contínuos em tecnologia”, afirma.

Ele também destaca a dificuldade para recuperar os recursos desviados. “Em um ambiente de pagamentos instantâneos como o Pix, o dinheiro pode circular entre várias contas em questão de minutos, tornando a rastreabilidade e a recuperação muito mais complexas.”

Segundo Abreu, o Brasil ocupa uma posição singular no cenário global. Como um dos mercados financeiros mais digitalizados do mundo, com adoção de canais digitais e do Pix, o país registra um volume elevado de tentativas de fraude.

“Ao mesmo tempo, o país construiu, nas últimas duas décadas, um dos ecossistemas de prevenção a fraudes mais maduros da região. O custo total relativamente menor das fraudes, apesar do elevado volume de ataques, reflete a força e a maturidade desse ecossistema”, diz.

O estudo também revela que, no Brasil, 45% das empresas classificam a redução de perdas e disputas relacionadas a fraudes como uma das principais prioridades para os próximos 12 meses. Na América Latina, o percentual é de 41%, enquanto na Argentina chega a 50%.

A prevenção de fraudes também aparece entre as prioridades das companhias. Na Colômbia, 55% das empresas afirmam buscar detectar previamente as tentativas de fraude. No Brasil e na média latino-americana, os percentuais são de 42% e 41%, respectivamente.

Para o levantamento, a prevenção a fraudes tornou-se parte central da estratégia das empresas na América Latina. O desafio, contudo, é reforçar a segurança sem comprometer a experiência do cliente nem o crescimento dos negócios.

“As medidas de proteção costumam ser mais robustas na abertura de contas e cadastros, mas perdem força ao longo da jornada do cliente”, afirma o relatório.

Segundo o estudo, as empresas têm avançado em direção a sistemas mais automatizados, com investimentos em biometria, análise comportamental e verificação baseada em inteligência artificial para tornar a prevenção a fraudes mais proativa.

“Empresas com sistemas de prevenção mais automatizados relatam resultados mais expressivos: bloqueiam mais transações fraudulentas e demonstram maior confiança na eficácia futura de seus mecanismos de proteção”, conclui o relatório.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – MATHEUS DOS SANTOS

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas