Celebrado neste dia 20 de maio, o Dia Mundial das Abelhas vai muito além da produção de mel e derivados. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data serve como um alerta global para a sobrevivência desses insetos, que no Espírito Santo ganha contornos econômicos vitais. No cenário capixaba, onde a agricultura familiar é a base da economia de dezenas de municípios, as abelhas são engrenagens invisíveis que movimentam e sustentam cadeias produtivas estratégicas, como o café, o cacau e os hortifrutigranjeiros.
Estimativas globais apontam que cerca de 70% das culturas alimentares do mundo dependem, direta ou indiretamente, da polinização. No ecossistema capixaba, o impacto é direto no bolso do produtor: plantações de café, maracujá, melancia, abóbora e diversas hortaliças têm seus índices de produtividade e a qualidade dos frutos diretamente influenciados pela presença desses polinizadores.
“As abelhas são trabalhadoras invisíveis do campo. O produtor muitas vezes não percebe, mas a presença desses insetos nas lavouras pode representar ganhos expressivos de produtividade e qualidade dos frutos. Proteger as abelhas é, também, proteger a renda do agricultor capixaba”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.
Produtividade sob ameaça no campo
Apesar do papel central na manutenção da biodiversidade e do agronegócio, as populações de abelhas enfrentam ameaças crescentes. O uso indiscriminado de agrotóxicos, as mudanças climáticas e a perda de habitat colocam em risco o equilíbrio produtivo. Diante disso, técnicos defendem que a conscientização sobre o manejo responsável de defensivos e o avanço de práticas agroecológicas são urgentes para blindar o setor.
Para o extensionista do Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural), Alex Fabian, o comportamento das abelhas funciona como um termômetro de saúde da lavoura:
“A abelha é um indicativo de local saudável. Quando vemos abelhas em uma florada, seja num jardim ou numa lavoura, isso nos diz que aquele ambiente não tem uso excessivo de agrotóxicos. Quando um agricultor adota práticas mais sustentáveis, as abelhas aparecem e isso é um bom sinal.”
O mercado do mel em franca expansão
Se por um lado as abelhas garantem o sucesso de outras culturas através da polinização, por outro elas consolidam uma atividade econômica própria que não para de crescer no Estado: a apicultura e a meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão).
Os números do setor mostram um salto expressivo na produção capixaba na última década:
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Volume produzido: O Espírito Santo saltou de 544 mil quilos de mel para 846 mil quilos, um crescimento de 55%.
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Faturamento: O valor da produção mais que dobrou, saindo de R$ 6,2 milhões para R$ 12,3 milhões.
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Liderança no Estado: O município de Aracruz lidera o ranking estadual (10,6% da produção), seguido de Fundão (9,7%) e Marechal Floriano (9,5%).
Metas para o futuro
A atividade tem se firmado como uma excelente fonte de renda complementar para a agricultura familiar. De olho nesse potencial, o Governo do Estado estabeleceu uma meta ousada dentro do Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (PEDEAG 4): alcançar a marca de mil toneladas de mel produzidas por ano até 2032.
Mais do que celebrar a data, o cenário do Espírito Santo deixa claro que investir na preservação das abelhas e na transição para modelos agrícolas mais sustentáveis é, fundamentalmente, uma estratégia de sobrevivência e crescimento econômico para o campo.









