Nos bastidores da política capixaba, promessa feita costuma cobrar juros altos quando não é cumprida no prazo. E quem está com essa calculadora na mão neste momento é o presidente estadual do PSD, Renzo Vasconcelos. A movimentação em torno das definições para as eleições de 2026 no Espírito Santo colocou o prefeito de Colatina em uma sinuca de bicos estratégica envolvendo o deputado estadual Sergio Meneguelli.
A engenharia das alianças e o impasse do MDB
Ao acenar abertamente para o MDB e procurar Ricardo Ferraço para tentar tirar o ex-governador Paulo Hartung do tabuleiro em troca de emplacar Meneguelli como o segundo voto ao Senado, Renzo fez uma proposta audaciosa. No papel, o movimento parecia interessante, mas esbarrou imediatamente na realidade política: a rifa do nome de Rose de Freitas da disputa.
Por outro lado, ao pleitear a vaga de vice na chapa governista, a cartada do PSD se apoia na musculatura do partido em âmbito nacional. Contudo, essa exigência tromba de frente com acertos já alinhavados e amplamente divulgados com os aliados locais.
A Federação União Progressista (UP), pilar fundamental na sustentação do projeto de Renzo, não dá sinais de que abrirá mão da vaga de vice. Na prática:
O risco da ruptura: Romper acordos a esta altura do campeonato não significa apenas deixar parceiros pelo caminho. É empurrá-los diretamente para os braços da oposição — fortalecendo o projeto de Lorenzo Pazolini (Republicanos), sem que ele precise fazer grande esforço de campanha.
O que o PSD realmente tem a oferecer no tabuleiro?
Não se pode dizer que atender às exigências de Renzo Vasconcelos seja algo impossível, mas o grau de dificuldade é elevadíssimo. Até o momento, o que o PSD tem de concreto sobre a mesa de negociação são dois trunfos de peso relativo:
A eventual retirada da candidatura de Paulo Hartung (ironicamento o mesmo movimento que o Republicanos aceitou ao ceder às imposições do PL, beneficiando Maguinha Malta).
O tempo de rádio e TV, estimado em cerca de 55 segundos.
O Republicanos, por sua vez, não fechou portas, mas delimitou muito bem o seu perímetro: o espaço reservado continua sendo a vice — seja para Lívia Vasconcelos ou Guerino Zanon.
O “fator Meneguelli” e a fatura de 2028
Para o Republicanos, a situação de Sergio Meneguelli é página virada. O parlamentar se desfilou, migrou para o PSD e deixou de ser um problema da sigla. A avaliação interna é direta: Renzo cumpre o prometido com Meneguelli se quiser.
Mas é exatamente aí que o veneno da política atua em dose lenta.
Se o PSD rifar a candidatura de Meneguelli ao Senado em 2026, a conta desse descumprimento não será dividida com o grupo: será paga exclusivamente por Renzo Vasconcelos.
Não se pode esquecer que Meneguelli foi peça fundamental ao hipotecar apoio à candidatura vitoriosa de Renzo à Prefeitura de Colatina em 2024, selando o compromisso da vaga majoritária para 2026. Se não disputar o Congresso agora, Meneguelli permanecerá finda o mandato de deputado estadual e tem o caminho livre para o próximo pleito municipal.
O cenário temeroso para a gestão em Colatina:
Avaliação de mandato: Renzo enfrenta o desafio natural de administrar uma cidade de grande porte e consolidar índices de aprovação.
O fantasma de 2028: Ter no mesmo reduto eleitoral o deputado estadual mais votado da história do Espírito Santo magoado e pronto para ser adversário na disputa pela prefeitura é um pesadelo estratégico.
Meneguelli no Senado é a garantia de um rival a menos em Colatina. Meneguelli sem legenda em 2026 é o prenúncio de uma eleição duríssima em 2028. Resta saber até quando a calculadora do PSD aguentará essa pressão.










