Às vésperas da convenção partidária do PSB no Espírito Santo, a montagem da chapa proporcional para a Câmara dos Deputados evidencia um movimento calculado pelo ex-governador Renato Casagrande (PSB). A consolidação da pré-candidatura de Emanuela Pedroso a deputada federal não se desenha apenas como mais um nome na nominata socialista, mas sim como uma peça central no arranjo de poder interno para as Eleições 2026 no ES.
Conhecida nos bastidores políticos como Manu, a ex-gestora ganhou protagonismo no partido após cumprir quatro anos em funções de alta confiança no Palácio Anchieta. O movimento de transição da burocracia estatal para a arena das urnas testa a capacidade do PSB de converter entregas administrativas do governo estadual em votos nas urnas capixabas.
Cálculo de Casagrande e trajetória de Alto Rio Novo ao Palácio Anchieta
O ingresso de Emanuela no primeiro escalão estadual ocorreu em 2022, quando foi convidada por Renato Casagrande e pelo atual governador Ricardo Ferraço (MDB) para assumir a Secretaria de Estado de Economia e Planejamento (SEP). No ano seguinte, ascendeu ao comando da Secretaria de Estado do Governo (SEG), pasta responsável pela articulação política e pelo diálogo direto com o legislativo e prefeituras.
A aposta do PSB em seu nome baseia-se em um perfil político moldado na base municipal. Antes do primeiro escalão do Estado, Emanuela atuou como professora, advogada, vereadora e prefeita do município de Alto Rio Novo, no Noroeste capixaba, além de secretária municipal em Viana e secretária-executiva da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes).
Essa transição da política local para o centro decisório do Estado deu a ela trânsito livre junto a prefeitos e vereadores, ativo considerado indispensável pelo comando socialista para competir com chapas de forte apelo regional e parlamentares que buscam a reeleição.
O Fundo Cidades como vitrine e a ponte com os municípios capixabas
Do ponto de vista analítico, o principal trunfo eleitoral acumulado por Emanuela no Palácio Anchieta foi a coordenação direta do Fundo Cidades. O programa é o principal mecanismo de transferência de recursos do Tesouro Estadual para obras de infraestrutura urbana, rural e assistência social nos 78 municípios do Espírito Santo.
Sob a gestão de Emanuela, o instrumento viabilizou mais de R$ 1,2 bilhão em convênios diretos com as prefeituras. No xadrez eleitoral, a gestão desse volume de investimentos gerou uma rede de alianças locais que atua como fiadora de sua caminhada pré-eleitoral.
Desincompatibilizada do cargo de secretária de Estado desde o início de abril, cumprindo o prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral, a pré-candidata do PSB intensificou agendas de campo por todas as microrregiões do Espírito Santo. As viagens visam consolidar palanques municipais com lideranças comunitárias e gestores locais antes do martelo ser batido na convenção.
Com a convenção do PSB prestes a homologar as candidaturas oficiais, a presença de Emanuela Pedroso na disputa federal mede a capacidade de transferência de prestígio do grupo de Casagrande para novos quadros da sigla no Espírito Santo.










