Em pleno auge do período de convenções partidárias, o PSD no Espírito Santo encontra-se em uma verdadeira sinuca de bico para as Eleições 2026 no ES. A legenda iniciou a semana adotando um tom altivo, alardeando musculatura e tamanho suficientes para encabeçar uma candidatura própria ao Governo do Estado — citando nomes como o ex-governador Paulo Hartung, Livia Vasconcelos, Guerino Zanon e o deputado estadual Serginho Meneguelli. Contudo, termina os últimos dias avaliando o desgaste de um recuo estratégico para voltar à mesa de negociações e tentar emplacar a indicação de vice na chapa dos Republicanos, liderada pelo prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini.
O movimento reflete o pragmatismo e as táticas do presidente estadual da sigla, Renzo Vasconcelos, na busca por espaço nas composições majoritárias.
Movimentações com Ricardo Ferraço e a pressão sobre Rose de Freitas
Nas conversas paralelas com o grupo governista do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) — candidato à reeleição —, a exigência do PSD foi a garantia da segunda vaga ao Senado Federal na chapa oficial. A primeira cadeira é tida como assegurada ao ex-governador Renato Casagrande (PSB), padrinho e fiador direto do projeto político de Ferraço.
Nos bastidores do interior capixaba, contudo, a apuração junto a prefeitos revela que esse pleito do PSD gerou forte ruído interno: já se fala abertamente em “rifar” a ex-senadora Rose de Freitas (MDB). Rose vinha articulando seu retorno ao Congresso com o apoio — obtido a duras penas — do presidente da Assembleia Legislativa (Ales), Marcelo Santos (União Brasil), e do deputado federal Gilson Daniel (Podemos).
O ruído com Pazolini, o fator Magno Malta e as farpas do Republicanos
Para compreender a oscilação do PSD, é preciso resgatar o histórico recente. Renzo Vasconcelos e Paulo Hartung já haviam declarado apoio formal à pré-candidatura de Lorenzo Pazolini ao Palácio Anchieta, tendo ajustado previamente a indicação do vice com o Republicanos. A insatisfação estourou quando o Republicanos fechou aliança com o PL do senador Magno Malta.
A entrada do PL impôs o travamento de candidaturas ao Senado de quadros competitivos da aliança para favorecer Maguinha Malta, minando nomes que despontavam com maior favoritismo no cenário eleitoral.
O clima entre as siglas azedou. Questionada sobre o destino de Serginho Meneguelli, uma liderança ligada ao grupo de Erick Musso disparou que não existe qualquer acordo com o parlamentar e decretou de forma incisiva: “ele não é mais problema nosso”.
Já em relação a Paulo Hartung, uma fonte do Republicanos recorreu a uma metáfora dura para ilustrar o rompimento:
“PH é como uma bela mulher, mãe de seis filhos. O Republicanos é o homem que se apaixonou por ela e, para casar, levou a bela mulher — com os filhos. Mas ela errou no relacionamento. Então, foi abandonada juntamente com a prole.”
Outras cartas no baralho: Aridelmo e a opção isolada de Meneguelli
Diante das portas parcialmente fechadas e das negociações truncadas, resta saber quais cartas o PSD ainda dispõe para o pleito de outubro. Entre as alternativas internas figuram o empresário Aridelmo Teixeira — que disputou o Governo do Estado em 2022 pelo Partido Novo — e a possibilidade teórica de uma candidatura avulsa de Serginho Meneguelli.
Com o relógio das convenções correndo, a legenda precisa decidir se reata os laços com Pazolini aceitando o papel subalterno na chapa, se força um acordo com o palanque de Ricardo Ferraço ou se mantém uma voo solo arriscado no Espírito Santo.










