Casagrande e Progressistas articulam a vice na chapa de Ricardo Ferraço

A composição da chapa do governador Ricardo Ferraço (MDB) para a disputa pela reeleição no Espírito Santo ganhou um protagonista: Amaro Neto. Entre aliados do emedebista, cresce a avaliação de que a região metropolitana da Grande Vitória, considerada um dos pontos de maior vulnerabilidade eleitoral do governador, deve concentrar o nome escolhido para a composição majoritária.

Nos bastidores, dirigentes da base governista apontam que o fortalecimento político de Ricardo na região se tornou prioridade estratégica do grupo. A leitura é pragmática: embora o governador mantenha capilaridade no interior capixaba, é justamente a Grande Vitória o maior colégio eleitoral do Estado e onde estaria o principal desafio político do projeto de reeleição.

Grande Vitória vira peça-chave da estratégia eleitoral

Nesse cenário, lideranças aliadas passaram a defender que o vice da chapa seja um nome com densidade eleitoral na região metropolitana. É justamente neste espaço que o Progressistas (PP), partido presidido no Espírito Santo pelo deputado federal Da Vitória, intensificou sua movimentação.

A legenda trabalha para consolidar protagonismo dentro da federação formada com o União Brasil e fortalecer sua posição na mesa de negociação da chapa majoritária. Entre interlocutores do grupo político, os deputados federais Amaro Neto e Messias Donato passaram a ser vistos como nomes competitivos para compor ao lado de Ricardo Ferraço.

“São nomes da Grande Vitória, têm entregas e ajudam a popularizar ainda mais Ricardo onde existe maior necessidade política, que é a região metropolitana”, afirmou o presidente do Podemos-ES, deputado Gilson Daniel. A sigla, embora a primeira a apoiar o nome de Ricardo a governador, não está nesta disputa.

A movimentação ganhou força após a janela partidária, quando Amaro Neto deixou o Republicanos e migrou para o Progressistas, enquanto Messias Donato seguiu para o União Brasil, ambos integrantes da federação.

Casagrande teria conduzido engenharia política nos bastidores

Casagrande e Progressistas articulam a vice na chapa de Ricardo Ferraço
Foto: Mary Martins

Nos bastidores do Palácio Anchieta, a articulação é atribuída ao grupo político do ex-governador Renato Casagrande, apontado por aliados como um dos principais operadores da engenharia partidária.

A avaliação de integrantes do grupo é de que a movimentação teve um duplo efeito político: enfraquecer o Republicanos no Espírito Santo e, ao mesmo tempo, ampliar o peso do Progressistas na disputa pela indicação do vice-governador.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, Amaro Neto chegou a ser cotado para o União Brasil, mas teria sido convencido a ingressar no PP justamente para manter viável uma eventual composição na chapa de Ricardo Ferraço. E a peso de hoje, é o nome mais provável.

“Tudo isso foi discutido durante a construção das mudanças partidárias. Havia o entendimento de que ele poderia se tornar uma alternativa competitiva para vice”, afirmou uma fonte ligada às negociações.

Recuo ao Senado fortalece pressão do PP por vaga de vice

A decisão de Da Vitória de retirar seu nome da disputa ao Senado também alterou o tabuleiro político. Sem candidatura própria à Câmara Alta, o Progressistas concentrou esforços na vice-governadoria, posição considerada estratégica para ampliar influência no próximo ciclo de poder no Espírito Santo.

Ao ES Hoje, Da Vitória confirmou que o partido possui quadros competitivos capazes de fortalecer a chapa de Ricardo Ferraço e a federação partidária. Destacou, por exemplo, que a Capitã Andressa e Camillo Neves são considerados peças relevantes para a montagem da nominata de deputado federal, estratégia vista como essencial para manter — ou até ampliar — as três cadeiras atualmente ocupadas pela bancada da federação no Espírito Santo. Ou seja, na eventual saída de Amaro da chapa de federal para ser vice-governador, a composição segue completa e forte.

Base de Ricardo ainda passa por consolidação partidária

Hoje, o núcleo mais consolidado do projeto de reeleição de Ricardo Ferraço reúne MDB, Podemos, Progressistas e União Brasil. O PDT também é tratado como aliado do grupo, assim como o entorno político de Renato Casagrande.

Isso, porém, não significa adesão automática do PSB ao projeto. Apesar da proximidade entre grupos políticos, a legenda ainda preserva margem de negociação para a eleição estadual, tema que segue em aberto no xadrez político capixaba.

No Espírito Santo, onde alianças eleitorais historicamente são construídas com forte peso regional e pragmatismo partidário, a escolha do vice tende a extrapolar a simbologia da composição e se tornar peça central da estratégia para consolidar palanques, ampliar musculatura eleitoral e reduzir resistências em áreas consideradas sensíveis para a campanha governista.

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