Aproveitando que estamos em 22 de maio, dia em que a Igreja Católica celebra Santa Rita de Cássia, trago dois momentos marcantes ocorridos na paróquia Santa Rita, localizada na Praia do Canto, em Vitória, num curto intervalo de tempo, que serão perpetuadas nos corações e mentes dos paroquianos.
A 1ª foi o ato de uma mulher sem o domínio de sua capacidade mental, que, em meados de dezembro de 2025, em plena luz do dia, invadiu a Igreja e destruiu algumas imagens sacras e objetos litúrgicos, dentre elas a da própria Padroeira Santa Rita, o que promoveu verdadeira comoção social, não só no Bairro Praia do Canto e em Vitória, mas em toda sociedade capixaba.
A 2ª cena, ocorreu no último dia 10/05/2026, com a igreja repleta de devotos, até por coincidir com a missa do Dia das Mães /2026, quando o Frei Mário anunciou que seria feita a doação de uma imagem da Padroeira em substituição a que havia sido destruída.
A caminhada do casal Max e Tatiana, com o filho Pedro, até o altar, com a imagem da Santa nos braços do Pai, ocorreu num clima de curiosidade e muita emoção, com aperto nos corações e nós na garganta de alguns dos presentes, com derramar de algumas lágrimas. E todo esse clima de encantamento, religiosidade e admiração pela nobreza do gesto da doação, ocorreu mesmo sem ninguém conhecer a história dessa imagem.
Entre 1949, o Sr. Benevenuto Perim, avô da Tatiana, doou essa mesma imagem, por certo, uma relíquia religiosa centenária, para a Igreja São João Batista, em Burarama, Distrito de Cachoeiro de Itapemirim/ ES. Ocorre que, em 1979, ela voltou para a casa da família doadora, por conta da obra de reconstrução daquela Igreja. A partir do falecimento do Sr. Benevenuto, aquela imagem seguiu sua via sacra familiar, hereditária, tendo chegado, em definitivo, à casa da neta Tatiana em 2024, aqui, na Praia do canto. Segundo ela, isto seu deu após ter convivido intensamente com essa imagem, desde sua tenra idade, tanto na casa do avô, quanto na de sua mãe.
De tudo isso, chama a atenção o grande gesto de desprendimento do casal em abrir mão de uma peça de tamanho valor afetivo e religioso, doando-a à Paróquia de sua Comunidade. Ocorre que antes de tentar entender esse gesto, que poderia ser explicado por inspiração daquela doação anterior do avô, em 1949, ou mesmo até por intercessão direta da Santa Padroeira, pelo aproximar do seu dia comemorativo, faz-se necessário registrar que a ideia da doação não partiu do pai, nem sequer da mãe, a neta, mas do filho Pedro P. Gava Morgado Horta, de apenas 10 anos, que concluiu, recentemente, a Catequese da Paróquia Santa Rita.
Em que pese a sugestão do filho, é evidente que o mérito maior foi o desprendimento dos pais por acatarem a sugestão dele e por terem proporcionado a reposição da imagem da Santa Rita no altar da sua Igreja, no local de onde ela jamais deveria ter saído e, muito menos, naquelas condições.
Cleber Guerra
Engenheiro
Paroquiano de Santa Rita









