[Legenda da arte:à esquerda, presidente Lula recebe Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, cujo governo prende, tortura e mata opositores; à direita, ex-presidente Bolsonaro ao lado do ditador saudita Mohamed bin Salman, cujo governo oprime mulheres, persegue e pune com pena de morte pessoas LGBT+ e cristãos – a conversão ao cristianismo é proibida naquele país, cristãos não podem se expressar livremente, e quem for pego manifestando algum ato da fé cristã pode ser punido com a morte]
*Por Jorge Rodrigues Neto
O texto de Romanos 13, que diz que “toda autoridade é instituída por Deus”, tem sido usado muitas vezes, no decorrer da história da Igreja, de maneira extremamente equivocada.
Quando a Bíblia nos manda orar pelas autoridades constituídas, ela não diz com isso que devamos ser colaboracionistas acríticos de qualquer governo ou governante, ou que devamos concordar com tudo o que os governos ou os governantes fazem ou dizem.
João Batista, o último profeta do Velho Testamento, por exemplo, perdeu (literalmente) a cabeça por denunciar os pecados do rei, e Jesus, o Todo Poderoso, disse que “não houve na Terra homem igual a João Batista” (veja no Evangelho de João a história de João Batista).
Quantos servos e quantas servas de Deus no decorrer da história foram seriamente prejudicados, inclusive perdendo a vida, por se posicionarem contra atos de governos ou governantes que não se coadunavam com os princípios do Reino de Deus!
Jorge Rodrigues Neto é teólogo e especialista em Direitos Humanos
“Romanos 13 não anula o dever profético da Igreja de anunciar o Reino de Deus e de denunciar os pecados das pessoas e das estruturas, inclusive os pecados do Estado e dos governantes”
Não podemos esquecer de ler e aplicar Romanos 12 (“não vos conformeis com este mundo”, inclusive com Governos ou governantes que praticam o mal) antes de lermos Romanos 13.
Orar e profetizar (no sentido correto dessa palavra) não se excluem, são complementares.
Só citei aqui o livro de Romanos e apenas dois capítulos dele bem “en passant”, mas existem outros muitos textos e exemplos bíblicos os quais poderíamos usar (inclusive o próprio Apóstolo Paulo, que escreveu Romanos, em diversos momentos contraria as autoridades constituídas buscando ser fiel a Deus, até mesmo se opondo às autoridades religiosas instituídas).
A Escritura Sagrada deve ser lida como ela de fato é, e não como queremos ver.
Assim, a Escritura é que deve ser o parâmetro de todas as nossas convicções a respeito de tudo (inclusive políticas).
Não existe cristianismo verdadeiro sem uma leitura honesta da Escritura. Ela é o guia e nós devemos obedecê-la, mesmo que isso nos desagrade.
A Bíblia não é sobre nós, mas sobre Deus e sua soberana vontade para todas as coisas.
Orar pelas autoridades não significa concordar com elas.
*Jorge Rodrigues Netoé pastor batista, teólogo, especialista em Direitos Humanos e servidor público
É mais ou menos isto o que eu comento em um post do meu blog Orar pelas autoridades- efeito Jonas.