Médico é preso no ES após descumprir medida protetiva

O ginecologista Tolentino Ferreira de Freitas Filho, de 68 anos, foi preso nesta segunda-feira (19), em Ecoporanga, no Noroeste do Espírito Santo, após descumprir uma medida protetiva concedida a uma sobrinha, de 27 anos. O médico também é alvo de denúncias de pacientes por supostos casos de assédio e abuso sexual durante consultas.

Segundo a Polícia Militar, a mulher relatou que o tio foi até uma propriedade rural para retirar cabeças de gado que estavam sob a responsabilidade dela. Durante a situação, ele também teria feito ameaças.

Ainda de acordo com a PM, os desentendimentos entre os dois estão relacionados à divisão de uma propriedade rural da qual ambos são herdeiros.

Após a ocorrência, o médico foi levado à Delegacia Regional de Barra de São Francisco. Em seguida, foi encaminhado ao sistema prisional.

Pacientes denunciam assédio e abuso sexual durante consultas

Além do caso envolvendo a sobrinha, o ginecologista e obstetra, que atua na Grande Vitória, é alvo de relatos de pacientes que apontam supostos episódios de assédio e abuso sexual durante consultas médicas.

Segundo as denúncias, as situações teriam ocorrido ao longo de mais de uma década. Os relatos incluem comentários considerados inadequados e contatos físicos que, de acordo com as pacientes, não teriam relação com os procedimentos médicos.

As denúncias foram divulgadas com exclusividade pelo Instituto Mulheres Jornalistas em abril deste ano. Após a repercussão, outras mulheres também relataram experiências semelhantes envolvendo o profissional.

Em uma publicação nas redes sociais, uma das mulheres afirmou que sua mãe, uma idosa, também passou por uma situação constrangedora durante um exame realizado em abril de 2026.

“Eu fiquei petrificada. Na hora, fiquei sem reação. Meu instinto foi dar um tapa na mão dele. Fiquei muito constrangida”, relatou.

A mulher afirmou ainda que, ao registrar um boletim de ocorrência, foi informada de que já existiam outros registros semelhantes, incluindo uma denúncia envolvendo uma adolescente.

O que dizem os órgãos e instituições

Quando as denúncias vieram a público, o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) informou que pode abrir sindicância a partir de uma denúncia formal ou ao tomar conhecimento de casos com repercussão pública.

Segundo o conselho, as denúncias são apuradas e podem resultar na abertura de um processo ético-profissional caso sejam identificados indícios de infração ao Código de Ética Médica.

A Unimed Vitória, rede na qual o médico é credenciado, afirmou que repudia qualquer comportamento abusivo e que está adotando medidas administrativas internas. A cooperativa também informou que mantém um canal exclusivo para denúncias, disponível 24 horas por dia e com garantia de sigilo.

A Secretaria Municipal de Saúde de Vitória informou que o profissional está inativo na rede pública por estar aposentado. Segundo a pasta, durante o período em que trabalhou no município, foram abertos processos administrativos que resultaram em penalidades, incluindo suspensão e demissão, em 2017.

A secretaria acrescentou que o médico foi reintegrado por meio de uma decisão judicial liminar, o que gerou novos desdobramentos administrativos e judiciais.

A Polícia Civil do Espírito Santo informou que as denúncias de assédio são investigadas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Vila Velha. Segundo a corporação, não há detalhes que possam ser divulgados no momento.

A reportagem não conseguiu contato com o médico. O espaço segue aberto para manifestação da defesa.

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