Ricardo Ferraço tem tarefa mais difícil que Lula no Espírito Santo

O governador Ricardo Ferraço (MDB) tem uma tarefa mais complicada do que a do presidente Lula (PT) na busca pelos votos dos capixabas no segundo turno das eleições. É o que demonstra a pesquisa do Instituto Perfil, contratada por ES Hoje e divulgada nesta segunda-feira (19).

Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 52,78% dos votos válidos, contra 47,22% de Lula, uma vantagem de 5,56 pontos percentuais. Já na corrida pelo Palácio Anchieta, Lorenzo Pazolini (Republicanos) soma 54,08%, enquanto Ricardo registra 45,92%. A diferença é de 8,16 pontos percentuais, o que coloca o emedebista diante de um desafio ainda maior para tentar reverter o cenário.

A situação do emedebista chama ainda mais atenção por um detalhe: ele tem a máquina estadual nas mãos, além do apoio da ampla maioria dos prefeitos capixabas. Mesmo assim, essa estrutura política e administrativa não se traduziu, até o momento, em maioria na preferência do eleitorado.

O levantamento mostra que Pazolini ultrapassa a metade dos votos válidos e mantém uma vantagem superior à registrada por Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Uma diferença que, a menos de uma semana da eleição, coloca Ricardo diante da necessidade de conquistar eleitores que ainda não conseguiu atrair, além de preservar aqueles que já estão ao seu lado.

Outro ponto que pesa nessa equação é o cruzamento entre as disputas estadual e nacional. A maior parte dos eleitores de Flávio Bolsonaro está no campo de Pazolini, enquanto os apoiadores de Ricardo se concentram majoritariamente entre os que pretendem votar em Lula.

Isso demonstra que a eleição capixaba também está sendo influenciada pela polarização nacional, embora não se possa reduzir a disputa pelo governo a uma simples reprodução do confronto presidencial.

Há ainda um componente que merece atenção: a percepção de vitória. A pesquisa indica que Pazolini também lidera quando os entrevistados são questionados sobre quem acreditam que vencerá a eleição, independentemente de sua própria intenção de voto.

Esse indicador não define o resultado das urnas, mas ajuda a compreender o ambiente político às vésperas do segundo turno. Uma coisa é o eleitor declarar sua preferência. Outra é acreditar que determinado candidato já está com a vitória encaminhada.

Para Ricardo, o desafio é duplo. Precisa diminuir a diferença nas intenções de voto e, ao mesmo tempo, alterar a percepção de que o adversário caminha para vencer.

O resultado também impõe uma reflexão sobre o peso das alianças políticas. Ricardo conseguiu reunir uma estrutura de apoios que, no papel, deveria lhe garantir condições favoráveis na disputa. Entretanto, a quantidade de prefeitos e lideranças ao seu lado não tem sido suficiente para assegurar a transferência de votos.

Pazolini, por sua vez, demonstra que conseguiu transformar o desempenho do primeiro turno em vantagem na reta final, mesmo enfrentando um adversário com o controle da administração estadual e uma base política mais ampla.

Isso não significa que a eleição esteja decidida. Pesquisa é fotografia de um momento, e o eleitor ainda terá a palavra final no próximo domingo (25).

Mas o tempo urge para Ricardo Ferraço. Com a máquina nas mãos, o apoio maciço dos prefeitos e uma diferença considerável para superar, o emedebista precisa encontrar, nos últimos dias de campanha, os votos que sua estrutura política ainda não conseguiu entregar.

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