Nos bastidores da política capixaba, o poder raramente se traduz em grandes discursos de comício. Tampouco em idade. O poder se mede, na prática, pelo consumo de bateria de um celular e pelo fluxo de café servido a portas fechadas, bem como a capacidade de articulação. Sob essa ótica pragmática, o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, caminha nessa consolidação visto a sua atuação nas eleições de 2026 – não apenas como um dirigente partidário vitorioso, mas como o centro de gravidade da articulação política no Espírito Santo.
Essa não é uma opinião de Bastidores, mas voz corrente entre os dirigentes dos partidos. E, ainda, de aliados – mas esses, a gente acaba dando um desconto porque o “puxassaquismo” e vaidade existem na política. Segundo uma fonte muito próxima ao líder republicano, a rotina de Musso entrega o ritmo frenético de quem assumiu a gestão da convergência partidária neste segundo turno. O gabinete virou uma espécie de central de controle do processo eleitoral: desde segunda-feira pós-primeiro turno, a lista de contatos acionados pessoalmente por ele impressiona pela escala e pela amplitude pragmática.
Foram mais de 70 vereadores, 20 deputados estaduais e cerca de 35 prefeitos atendidos em sequência — incluindo gestores que até semanas atrás marcharam em palanques opostos, mas que agora realizam verdadeira “peregrinação” em busca de diálogo para o novo desenho de poder que se desenha no Estado. Isso tudo, entre atos de campanha de Lorenzo Pazolini, sendo o locutor oficial por onde o candidato a governador passa.
A capacidade de interlocução de Erick Musso salta aos olhos justamente pela ausência de dogmatismos. A engenharia política conduzida por ele não distingue bandeiras ideológicas quando o assunto é governabilidade e construção de maiorias. O telefone toca sem parar — seja com lideranças da base aliada, seja em pontes institucionais lançadas até mesmo com quadros da “oposição”. A premissa é simples: na política real, a mesa de negociação precisa estar sempre aberta.
Nas pontas dos municípios, a articulação também avança com precisão cirúrgica. Um exemplo desse movimento de atração é a consolidação do apoio em bases estratégicas, em cidades cujos prefeitos alinhan de vez sua caminhada e já têm material de campanha nas ruas em favor do projeto liderado pelo partido, reforçando a onda de adesões municipais que migram em direção ao palanque de Lorenzo Pazolini.
Erick Musso trabalha com o olho nos números e na escala nacional do Republicanos. A meta é emplacar um feito inédito no cenário político brasileiro: transformar o ES no único estado do país onde a mesma sigla conseguiu eleger, no mesmo ciclo, deputados estaduais, deputado federal, senador e, a cereja do bolo, a possibilidade do governador do Estado.
O partido já garantiu duas cadeiras na Assembleia Legislativa, um assento na Câmara dos Deputados e a vaga no Senado Federal. Caso o resultado das urnas confirme a vitória no Executivo estadual, o Republicanos capixaba entregará à executiva nacional um case absoluto de hegemonia em todas as esferas de representação.
Longe dos holofotes e imerso na frieza dos cálculos políticos, Erick Musso opera a transição de um jovem ex-presidente da Assembleia para o posto de grande estrategista do poder estadual. Se a política é a arte de somar forças, o presidente do Republicanos provou que domina a matemática.










