O ato realizado nesse sábado, 17, na Praia de Camburi, em Vitória, rendeu muito mais dividendos políticos a Lorenzo Pazolini (Republicanos), que disputa o governo do Estado, do que a Flávio Bolsonaro (PL), que está na briga pela Presidência da República.
O Espírito Santo, em termos nacionais de votos, tem peso reduzido e não faz tanta diferença quanto outros estados do Sudeste, como Minas Gerais, tradicional fiel da balança para quem deseja comandar o Executivo federal, e São Paulo, maior colégio eleitoral do país.
Na teoria, Flávio não teria tantos motivos para vir aqui, mas veio. E participou de um “bloquinho”, como os próprios organizadores definiram, que contou ainda com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL/MG) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Há, contudo, um componente eleitoral que ajuda a explicar a visita. No primeiro turno, Flávio recebeu 54,78% dos votos no Espírito Santo, contra 37,76% de Lula. Ou seja, embora tenha peso reduzido no cenário nacional, o Estado representa um terreno favorável ao bolsonarismo, algo que Pazolini também busca aproveitar na disputa pelo Palácio Anchieta.
Num evento em que Pazolini fez o “coração grandão” para o bolsonarismo, numa alusão à sua música de campanha, o republicano acabou sendo o maior beneficiado. O ex-prefeito de Vitória conseguiu reunir, num mesmo palanque, nomes de projeção nacional e demonstrar capacidade de mobilização, algo que seu adversário, o governador Ricardo Ferraço (MDB), ainda não conseguiu reproduzir nesta disputa.
A encenação da entrega da faixa presidencial a Flávio Bolsonaro, feita por Pazolini durante o ato, também serviu para reforçar o alinhamento entre os dois. Para o senador, mais uma demonstração de apoio à sua candidatura. Para o republicano, a oportunidade de se apresentar ao eleitorado capixaba como o nome que reúne algumas das principais lideranças da direita no país.
É verdade que a aproximação com o bolsonarismo pode levar eleitores de Lula a direcionarem seus votos a Ricardo, como forma de conter o avanço de Pazolini. Ainda assim, o republicano tende a colher mais bônus do que ônus, especialmente num momento em que a base governista segue dividida.
Não é à toa que, nos últimos dias, Ricardo e o ex-governador Renato Casagrande (PSB) subiram o tom contra Pazolini, especialmente nas críticas relacionadas à falta de respeito no embate político. Resta saber se essa estratégia será suficiente para atrapalhar o avanço do republicano.
Por enquanto, quem parece ter saído de Camburi com mais motivos para comemorar não foi o candidato à Presidência, mas o candidato ao Palácio Anchieta.










