Pacientes de um médico ginecologista e obstetra que atua na Grande Vitória denunciaram episódios de assédio e abuso sexual durante consultas. Segundo os relatos, os casos teriam ocorrido ao longo de mais de uma década e envolvem comentários inadequados e contato físico fora do contexto dos exames.
Em publicação nas redes sociais, Rosi Faltz afirmou que a própria mãe, uma idosa, passou por uma situação constrangedora durante um exame realizado em abril de 2026. Ela também relatou ter sido vítima do mesmo profissional.
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“Eu fiquei petrificada. Na hora, fiquei sem reação. Meu instinto foi dar um tapa na mão dele. Fiquei muito constrangida”, contou. Segundo ela, ao registrar boletim de ocorrência, foi informada de que já existiam outros registros semelhantes, incluindo uma denúncia envolvendo uma adolescente.
Após a repercussão do caso, outras mulheres passaram a relatar experiências semelhantes envolvendo o médico citado nas denúncias. Em muitos dos depoimentos, as pacientes mencionam comentários considerados inadequados e toques que não teriam relação com os procedimentos médicos.
Uma das vítimas relatou que procurou atendimento em 2012, em uma unidade de saúde no bairro Maruípe, em Vitória, para tratar uma condição de pele. Segundo ela, durante a consulta, o médico fez comentários sobre sua aparência e tocou partes do corpo que não estavam relacionadas à queixa.
“Na unidade de saúde de Maruípe ele fazia absurdos. Fui vítima dele também”, afirmou.
Outra mulher disse que chegou a registrar denúncia na época, mas não teve retorno. Há também relatos de vítimas que não formalizaram queixa por medo ou constrangimento.
“Assim como eu, várias vítimas têm vergonha de denunciar. Parece que a culpa é nossa, mas não é”, declarou uma das pacientes.
O que dizem os órgãos envolvidos
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo informou que pode abrir sindicância a partir de denúncia formal ou quando toma conhecimento de casos com repercussão pública. Segundo o órgão, as denúncias são apuradas e podem resultar na abertura de processo ético-profissional, caso haja indícios de infração ao Código de Ética Médica.
A Unimed Vitória, rede onde o médico é credenciado, afirmou que repudia qualquer comportamento abusivo e informou que está adotando medidas administrativas internas. A cooperativa também destacou que mantém um canal exclusivo para denúncias, com funcionamento 24 horas e garantia de sigilo.
Já a Secretaria Municipal de Saúde de Vitória informou que o profissional está atualmente inativo na rede pública por ter se aposentado. De acordo com a pasta, durante o período em que atuou no município, foram abertos processos administrativos que resultaram em penalidades, incluindo suspensão e demissão em 2017. A secretaria acrescentou que houve reintegração por decisão judicial liminar, com novos desdobramentos administrativos e judiciais.
A Polícia Civil do Espírito Santo informou que o caso é investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Vila Velha e que, no momento, não há detalhes que possam ser divulgados.
A reportagem não conseguiu contato com o médico citado nas denúncias. O espaço segue aberto para manifestação da defesa.









