O ônibus que tombou no dia 27 de setembro, na BR-262, em Ibatiba, no Caparaó capixaba, deixando três mortos e 45 feridos, circulava com problemas graves no sistema de freios e trafegava em velocidade excessiva para o trecho. Segundo a perícia, o veículo já teria saído da garagem com falhas na frenagem.
Os resultados das análises foram apresentados pela Polícia Científica do Espírito Santo nesta terça-feira (20). O acidente aconteceu na chamada Curva da Ferradura, onde o ônibus saiu da pista e tombou.
O ônibus, registrado em Contagem (MG), transportava 48 pessoas que voltavam de uma excursão em Itaoca, balneário de Itapemirim. O veículo tombou no quilômetro 151 da BR-262.
Morreram no acidente o motorista Douglas Rodrigues de Souza Oliveira, de 38 anos, e as passageiras Vera Lúcia de Andrade, de 44, e Maria Aparecida Martins Barbosa, de 54. Além das três mortes, outras 45 pessoas ficaram feridas.

De acordo com Temístocles, perito oficial criminal e chefe do Departamento de Engenharia Forense da Polícia Científica, as lonas de freio de um dos eixos estavam completamente desgastadas. O estado dos componentes, somado ao trajeto percorrido pelo ônibus entre Belo Horizonte (MG) e Itaoca, em Itapemirim, indica que o veículo já apresentava problemas quando iniciou a viagem.
“Havia negligência grave no sistema de segurança do veículo, especialmente no sistema de freios, que comprometeu de forma significativa a capacidade de frenagem do ônibus”, afirmou Temístocles.
O perito também afirmou que uma manutenção adequada poderia ter evitado a tragédia. A análise aponta falhas na manutenção e na verificação das condições do veículo antes de sua liberação para a viagem.
“Esse ônibus já saiu da garagem com deficiência no sistema de freios. Ele não deveria nem ter saído da garagem”, afirmou o perito.
Além dos problemas mecânicos, a perícia apontou que o ônibus saiu da pista ao fazer a Curva da Ferradura em velocidade excessiva e incompatível com as características do trecho.

Investigação continua
O laudo pericial ainda está em elaboração. A investigação busca esclarecer as circunstâncias do acidente e possíveis responsabilidades pelas falhas identificadas.
Segundo a Polícia Civil, o caso é investigado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e lesão corporal culposa. Até o momento, representantes da empresa responsável pelo ônibus ainda não foram ouvidos pela polícia.










