A secretária Bruna Garcia Barbosa Marinho, acusada de tentar matar um médico cardiologista com arsênio após desviar dinheiro da clínica onde trabalhava, será julgada na próxima segunda-feira (26), em Vitória. Ela responde por tentativa de homicídio qualificado, e o julgamento será realizado no Fórum Criminal da capital, pelo Tribunal do Júri.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o envenenamento teria ocorrido ao longo de pelo menos um ano e três meses. A suspeita é de que Bruna misturava arsênio, uma substância tóxica, à comida e à água de coco servidas ao médico para tentar encobrir desvios financeiros.
Bruna trabalhava como secretária no consultório desde 2013 e era responsável por administrar as finanças da clínica. De acordo com a acusação, ela teria usado essa função para desviar cerca de R$ 544 mil ao longo de 12 anos. Quando os desvios começaram a correr o risco de ser descobertos, ela teria iniciado o envenenamento para afastar as suspeitas.
Médico teve problemas de saúde recorrentes
A investigação aponta que o médico começou a desconfiar da situação ao perceber problemas em sua conta bancária e, ao mesmo tempo, passar a sofrer com sintomas frequentes. Entre eles estavam dores intensas no estômago, anemia, fraqueza, piora dos sintomas de Parkinson e episódios de vômito com sangue.
As complicações de saúde foram tão graves que o médico precisou fechar a clínica que mantinha havia mais de 30 anos.
A suspeita de envenenamento ganhou força depois que um frasco de arsênio foi encontrado em um depósito da clínica. Segundo o MPES, o produto havia sido comprado em nome do marido de Bruna. Uma análise toxicológica também apontou que o médico havia sido exposto à substância de forma contínua por pelo menos 15 meses.
Bruna foi presa em outubro de 2025.
Acusação inclui cinco qualificadoras
A secretária responde por tentativa de homicídio qualificado. A acusação considera cinco circunstâncias: motivo torpe, uso de veneno, recurso que teria dificultado a defesa da vítima, intenção de garantir a impunidade ou vantagem relacionada a outro crime e o fato de a vítima ser idosa.
O julgamento está marcado para segunda-feira (26), no Fórum Criminal de Vitória. O Ministério Público informou que atuará no processo para buscar a responsabilização da acusada.
A acusação ainda será analisada pelo Tribunal do Júri, responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida.
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