O presidente do Vasco, Pedrinho, foi internado nesta terça-feira (20) após receber o diagnóstico de celulite facial, uma infecção bacteriana que atinge a pele e os tecidos abaixo dela.
A informação foi divulgada pelo jornalista Lucas Pedrosa, da CazéTV. O dirigente está em um hospital na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, e tem quadro considerado estável.
A reportagem procurou a assessoria do Vasco por e-mail e telefone para obter atualizações sobre o estado de saúde de Pedrinho, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto.
A celulite facial pode se espalhar rapidamente e, em casos graves, atingir estruturas próximas, como os olhos, ou provocar complicações sistêmicas. Por isso, exige diagnóstico e tratamento precoces.

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE CELULITE FACIAL E ESTÉTICA?
A celulite facial, também chamada de celulite infecciosa, é uma infecção bacteriana da pele e do tecido subcutâneo.
Já a celulite estética, conhecida pelo aspecto de casca de laranja que pode aparecer nas coxas e nos glúteos, é uma alteração na organização da gordura e das fibras do tecido, influenciada por fatores hormonais e genéticos.
Os dois quadros não têm relação entre si. A celulite estética não é uma infecção nem oferece o mesmo tipo de risco à saúde.
A CELULITE FACIAL É CONTAGIOSA?
Não. A celulite facial não costuma ser transmitida de uma pessoa para outra. A infecção ocorre quando bactérias alcançam tecidos do organismo por uma porta de entrada, como uma lesão na pele ou uma infecção próxima.
QUAIS SÃO AS CAUSAS?
A infecção ocorre quando bactérias entram no organismo por uma lesão na pele ou nas mucosas.
“Os principais agentes são o Streptococcus e o Staphylococcus aureus, que já vivem na nossa pele sem causar problema. Quando a barreira se rompe, eles podem causar infecção”, explica a dermatologista Natasha Crepaldi.
Espinhas espremidas ou manipuladas, cortes, arranhões, picadas de insetos, queimaduras e herpes labial podem servir de porta de entrada para os microrganismos. Infecções nos dentes, nos seios da face ou nos ouvidos também podem se espalhar para a região.
Pessoas com diabetes, imunidade comprometida ou doenças de pele recorrentes, como dermatite, têm maior risco de desenvolver a infecção.
QUAIS SÃO OS SINTOMAS E OS SINAIS DE ALERTA?
Os sintomas mais comuns são vermelhidão, inchaço, calor na região, dor ao toque e pele esticada e brilhante. Também podem ocorrer febre, calafrios, mal-estar e aumento dos gânglios linfáticos, conhecidos como ínguas.
A avaliação médica deve ocorrer no mesmo dia quando a vermelhidão ou o inchaço aumentam em poucas horas, ou quando há febre.
Inchaço próximo aos olhos, dor ao movimentá-los, visão turva ou dupla, dor de cabeça intensa, sonolência ou confusão são sinais de alerta para possíveis complicações e exigem atendimento de emergência.
POR QUE A INFECÇÃO PODE SER GRAVE?
A celulite facial pode avançar rapidamente para tecidos próximos. Uma preocupação especial é a região central do rosto.
“As veias da região central da face, em torno do nariz e do lábio superior, se comunicam com veias que levam ao cérebro. Por isso essa área é chamada de ‘triângulo de perigo'”, diz a dermatologista.
Segundo Crepaldi, quando não é tratada adequadamente, a infecção pode provocar abscessos, lesões nos tecidos, comprometimento da região ocular e, em situações graves, disseminação das bactérias pela corrente sanguínea. Também pode haver complicações intracranianas, como trombose do seio cavernoso e meningite.
A velocidade de evolução varia conforme a causa, a localização e as condições clínicas do paciente. Por isso, não se deve esperar que os sintomas desapareçam espontaneamente.
COMO É FEITO O TRATAMENTO?
O tratamento é feito com antibióticos. Casos leves podem ser tratados em casa, com medicamentos por via oral e reavaliação médica em 24 a 48 horas. Quadros mais graves podem exigir internação para administração de antibióticos por via intravenosa e monitoramento da evolução.
A internação é considerada principalmente quando há progressão rápida da infecção, febre alta, comprometimento dos olhos ou sinais de disseminação pelo organismo.
Também pode ser necessária em pessoas com outras doenças ou quando o tratamento oral não apresenta resultado. Se houver formação de abscesso, pode ser preciso drená-lo.
Além de combater a infecção, é necessário tratar sua origem, como um dente infectado ou uma ferida. Repouso, elevação da cabeça e analgésicos também podem ser recomendados.
A identificação precoce e o início do tratamento ajudam a reduzir o risco de complicações.
QUANTO TEMPO LEVA A RECUPERAÇÃO?
Segundo Crepaldi, com o antibiótico adequado, a melhora costuma começar em 48 a 72 horas. O tratamento dura geralmente de 7 a 14 dias, mas a recuperação pode levar mais tempo nos casos que exigem internação.
Se não houver melhora nesse intervalo inicial, o quadro precisa ser reavaliado para verificar a resposta ao medicamento e a existência de complicações.
COMO PREVENIR?
A prevenção envolve cuidados para evitar lesões e infecções na pele. Entre as principais medidas estão não espremer espinhas, higienizar feridas e procurar atendimento para tratar lesões que apresentem sinais de infecção.
Também é importante tratar problemas dentários e manter sob controle doenças que aumentem a vulnerabilidade a infecções.
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – LUIZA LOPES










