Sarampo, que pode ser tornar epidêmico na Copa do Mundo, ameaça a visão

Os três países que sediam a competição, EUA, Canadá e México, enfrentam surtos de sarampo. Dados do CDC mostram que, até 28 de maio do ano, os EUA registraram 1983 casos ante 2288 em 2025. Pior, o CDC informa que nos EUA até os locais com boa cobertura vacinal podem ter pessoas não vacinadas que coloquem os turistas sem proteção vacinal em risco. No Brasil, a doença está erradicada, mas o aumento da circulação internacional do vírus associado à Copa do Mundo exige vigilância redobrada

De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, o cenário é preocupante. “O sarampo é considerado uma das doenças infecciosas mais contagiosas do planeta. Uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para outras 18”, afirma. Isso explica a estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 95 mil mortes/ano no mundo, a maioria de crianças com até cinco anos, que poderiam ser evitadas com a vacina tríplice viral para sarampo, caxumba e rubéola.

Nem todos os infectados pelo sarampo apresentam o mesmo risco de perder a visão. Enquanto a maioria desenvolve apenas conjuntivite e sensibilidade à luz, outros sofrem complicações que atingem estruturas nobres do olho, como córnea, retina e nervo óptico. Os principais grupos de risco são: quem não é vacinado, crianças, idosos, imunossuprimidos, desnutridos, gestantes e pessoas com deficiência de vitamina A

Sintomas e como evitar a disseminação

“O vírus do sarampo tem elevada afinidade com vias respiratórias, olhos e pele. Os primeiros sinais que denunciam a infecção são vermelhidão nos olhos e manchas brancas na mucosa bucal”, afirma.

Para evitar a disseminação do vírus, Queiroz Neto ensina a observar se a criança fecha os olhos sob o sol e examinar a boca. Caso apresente pequenos pontos brancos na mucosa das bochechas, indicam sarampo. Para evitar a disseminação do vírus, são necessárias medidas de isolamento: interrupção temporária das aulas, atividades em grupo e separar todos os objetos de uso pessoal. “As manchas vermelhas no rosto que se espalham pelo corpo só aparecem após 3 a 5 dias”, pontua.

O sarampo é transmitido por gotículas de saliva durante a fala, espirro, respiração e tosse. O especialista que é membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) recomenda às gestantes evitarem as aglomerações da Copa. Isso porque o sarampo na gestação pode cursar com aborto espontâneo e parto prematuro, condições perigosas à vida da mãe e do bebê. “Uma das consequências para a visão da criança é a retinopatia da prematuridade, doença que afeta os vasos da retina e pode levar à perda da visão”, pontua. A prematuridade também interfere no desenvolvimento do olho, aumentando o risco de estrabismo ou olhos desviados, alta miopia e ambliopia ou olho preguiçoso, maior causa de cegueira monocular na infância, salienta o oftalmologista.

Outras doenças oculares

As principais doenças oculares decorrentes do sarampo, sintomas e riscos elencados pelo oftalmologista são:

  • Conjuntivite: Surge no início do sarampo da maioria das pessoas e geralmente desaparece espontaneamente. Queiroz Neto recomenda usar óculos escuros no sol para reduzir o desconforto e passar por consulta para uma recomendação personalizada. Afinal, cada olho é único.
  • Ceratite é uma infecção da córnea. Os sintomas incluem dor, vermelhidão, lacrimejamento, sensibilidade à luz, visão turva temporária, mas pode levar à formação de cicatrizes e diminuição permanente da visão. Exige acompanhamento oftalmológico.
  • Cicatrizes na córnea ou úlceras são feridas abertas que podem aparecer como pontos brancos na parte frontal do olho e geralmente são tratadas com colírios antivirais ou antibióticos. Quando cicatrizam, podem prejudicar a visão e causar cegueira.
  • Retinopatia: embora rara, há casos em que o vírus do sarampo destrói a retina, parte posterior do olho que converte a luz em impulsos elétricos que vão para o cérebro. Pode causar perda de visão temporária e, em alguns casos, permanente. Em casos raros, se desenvolve anos após a infecção por sarampo.
  • Neurite Óptica: Inflamação que afeta o nervo óptico, onde são enviados sinais da parte posterior do olho para o cérebro. É relativamente rara, mas pode ocorrer em pacientes com sarampo que também desenvolvem encefalite, ou inchaço cerebral. Os casos agudos podem ser tratados com corticosteroides. A perda de visão causada pela neurite óptica pode ser temporária ou permanente.

Quem deve tomar a vacina

A recomendação do Ministério da Saúde é que todos os torcedores que têm viagem programada aos países que sediam a Copa devem ser vacinados. Não devem tomar a vacina bebês com menos de 6 meses e adultos com mais de 50 anos.

Queiroz Neto ressalta que os olhos podem ser os primeiros a denunciar o sarampo e, em muitos casos, os últimos a se recuperar. Por isso, a vacinação e o diagnóstico precoce continuam sendo as medidas mais eficazes para proteger não apenas seus olhos, mas a saúde coletiva, conclui.

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