Recentemente, a modelo Gisele Bündchen surpreendeu ao compartilhar em seu novo livro que deixou de ser vegana estrita. A decisão, baseada em sinais de alerta do próprio corpo como fadiga e anemia, reacendeu o debate sobre dietas restritivas e a busca pelo equilíbrio.
Para entender como essa transição acontece e quais cuidados são essenciais, conversamos com a nutricionista Milena Zambom, da Bluzz Saúde, que explicou como as necessidades nutricionais mudam ao longo da vida e a importância da individualidade.
Muitas pessoas questionam como uma dieta que funcionou por anos pode, subitamente, tornar-se insuficiente. Segundo Milena, a resposta está na nossa evolução biológica. “Fatores como envelhecimento, alterações hormonais, aumento do estresse e mudanças no metabolismo podem fazer com que uma dieta antes adequada passe a não suprir mais todas as demandas”, explica.
Os sinais de que algo não vai bem podem ser sutis no início, mas tendem a se intensificar:
- Fadiga persistente e dificuldade de concentração;
- Queda de cabelo e imunidade baixa;
- Redução da massa muscular e alterações hormonais.
O desafio dos nutrientes e a biodisponibilidade
Um dos pontos centrais da mudança de Gisele foi a necessidade de reintroduzir a proteína animal para recuperar a vitalidade. Milena ressalta que as proteínas animais possuem uma maior biodisponibilidade — ou seja, são absorvidas de forma mais eficiente pelo organismo — e um perfil mais completo de aminoácidos essenciais, como a leucina, fundamental para os músculos.
Além da famosa vitamina B12, outros nutrientes são considerados o “calcanhar de Aquiles” de quem retira a carne sem acompanhamento: “Ferro heme, zinco, cálcio, iodo e ômega-3 de cadeia longa são desafiadores de repor exclusivamente em fontes vegetais”, pontua a nutricionista.
Flexitarianismo – Para quem busca ser consciente com o planeta, mas sente que o corpo exige mais, a nutrição aponta para o flexitarianismo, um padrão alimentar predominantemente vegetal, mas com o consumo ocasional de proteína animal. “O flexitarianismo é visto como uma abordagem equilibrada. Ele permite ampliar a diversidade nutricional da dieta sem abrir mão dos benefícios de uma alimentação rica em vegetais”, afirma Milena.
Dicas para uma transição segura
Se você sente que precisa reintroduzir alimentos de origem animal, a nutricionista recomenda cautela para evitar desconfortos digestivos:
- Gradualismo: comece com porções pequenas.
- Leveza: priorize alimentos como peixes, ovos ou iogurte antes de carnes mais pesadas.
- Matriz Alimentar: lembre-se de que suplementos ajudam, mas a comida “de verdade” oferece fibras e compostos bioativos que o corpo processa melhor.
O veredito da especialista? “O principal ponto é buscar equilíbrio e individualização alimentar. Uma dieta rica em alimentos naturais e proteínas de qualidade oferece os melhores resultados para saúde, energia e longevidade”, finaliza Milena Zambom.









