1,1 milhão de capixabas podem estar vivendo com pressão alta

O Ministério da Saúde estima que 29,7% da população brasileira seja hipertensa. No Espírito Santo, cerca de 1,1 milhão de pessoas podem conviver com a condição. Embora a doença não seja de notificação compulsória, dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) apontam 713 internações por hipertensão no Sistema Único de Saúde (SUS) no estado em 2025 — um aumento de 17,2% em relação a 2024, quando foram registradas 608 internações.

A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, é uma condição crônica caracterizada pelo aumento persistente da pressão sanguínea nas artérias. Trata-se de uma das doenças mais comuns no mundo e pode levar a complicações graves quando não tratada adequadamente.

De acordo com o médico cardiologista Werther Mônico Rosa, referência técnica em saúde cardiovascular da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), a hipertensão afeta principalmente as artérias de pequeno calibre, que sofrem alterações biológicas e acabam impondo maior sobrecarga ao coração e a todo o sistema cardiovascular. “Uma vez que a hipertensão já tenha causado lesões nesses e em outros órgãos, dificilmente há recuperação da função original, e o paciente passa a ser considerado de maior risco”, explicou.

Entre as principais complicações estão o Acidente Vascular Cerebral (AVC), o infarto agudo do miocárdio, a obstrução coronariana e a angina, além de doenças da retina que podem comprometer a visão e enfermidades renais que podem evoluir para a necessidade de diálise. A hipertensão também pode agravar doenças da aorta, que, embora menos frequentes, apresentam alta taxa de mortalidade e exigem cirurgia de emergência.

“A hipertensão arterial sistêmica tem forte correlação com o AVC, uma das principais causas de morte cardiovascular no Brasil e no mundo, juntamente com o infarto agudo do miocárdio. Além disso, contribui para o agravamento de outras doenças crônicas e atua em conjunto com fatores de risco importantes, como a diabetes mellitus”, destacou o especialista.

Alerta

Neste domingo (26) é celebrado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, data que reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da doença. Estima-se que, em cerca de 90% dos casos, a hipertensão tenha influência hereditária, embora fatores de estilo de vida também desempenhem papel relevante.

Entre os principais fatores de risco estão:

  • tabagismo;
  • consumo de bebidas alcoólicas;
  • obesidade;
  • estresse;
  • alto consumo de sal;
  • sedentarismo.

Sobre o consumo de sal, o cardiologista destaca que o excesso está diretamente relacionado às alterações nas artérias que favorecem o desenvolvimento da hipertensão. “A redução do consumo de sal é importante tanto para prevenir a doença em pessoas saudáveis quanto para o controle em pacientes já diagnosticados. A Organização Mundial da Saúde recomenda que a ingestão diária não ultrapasse 2 gramas, considerando tanto o sal dos alimentos quanto o adicionado no preparo ou à mesa”, explicou.

Prevenção

A prevenção da hipertensão pode ser dividida em dois níveis: primário e secundário. A prevenção primária é voltada para pessoas que ainda não desenvolveram a doença e envolve a adoção de hábitos saudáveis, como não fumar, praticar atividades físicas regularmente, manter uma alimentação equilibrada — rica em potássio e pobre em sódio —, controlar o peso, moderar o consumo de álcool, reduzir o estresse e garantir boa qualidade do sono.

Já a prevenção secundária é direcionada a pessoas já diagnosticadas com hipertensão e tem como objetivo evitar complicações. Nesses casos, além das mudanças no estilo de vida, é fundamental aderir corretamente ao tratamento e controlar doenças associadas.

Tratamento

A Atenção Primária à Saúde (APS) é a principal porta de entrada para o acompanhamento de pessoas com hipertensão no SUS, sendo responsável pelo cuidado contínuo e pelas ações de prevenção e promoção da saúde. Consultas regulares, conforme o grau de risco do paciente, são recomendadas para monitoramento da condição.

A distribuição de medicamentos também é realizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), permitindo que os pacientes iniciem e mantenham o tratamento próximo de suas residências.

Por ter forte componente hereditário, jovens adultos com histórico familiar de hipertensão devem redobrar a atenção com o acompanhamento preventivo. Segundo o especialista, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar danos futuros.

“O tratamento iniciado precocemente, antes do surgimento de lesões em órgãos, é essencial para preservar a saúde ao longo da vida. Desde a infância, é importante acompanhar o histórico familiar e incentivar hábitos saudáveis, como atividade física, alimentação equilibrada, controle do estresse e até o uso moderado de redes sociais”, concluiu Werther Mônico Rosa.

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