A chegada da menopausa costuma vir acompanhada de uma queixa recorrente: o ganho de peso e a dificuldade para emagrecer. Mesmo mulheres que mantêm hábitos saudáveis relatam mudanças no corpo, especialmente com aumento de gordura abdominal e redução da massa muscular.
Segundo a médica nutróloga Mariana Comério, essa transformação tem explicações fisiológicas claras. “Na menopausa, há uma queda importante do estradiol, testosterona e progesterona, hormônios que participam diretamente da regulação do metabolismo e da distribuição de gordura corporal. Com isso, o organismo passa a favorecer o acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal”, esclarece.
Além da questão hormonal, outros fatores contribuem para essa mudança corporal. “Existe uma tendência natural de redução da massa muscular com o passar dos anos, o que diminui o gasto calórico. Ou seja, o corpo passa a gastar menos energia mesmo em repouso. Esse processo, quando não combatido, pode levar à perda progressiva de massa e força muscular”, explica a médica.
Outro ponto destacado pela nutróloga é a influência do estilo de vida. “Muitas vezes, a rotina também muda nesse período, com menos atividade física e alterações no sono, o que impacta diretamente o peso”, alerta.
Dentro desse contexto, abordagens mais individualizadas têm ganhado espaço, incluindo terapias hormonais. “Hoje, podemos utilizar medicações tópicas, orais ou implantes hormonais, sempre com indicação criteriosa. O objetivo é restabelecer o equilíbrio hormonal, o que pode impactar positivamente o metabolismo, a disposição e a composição corporal”, explica Mariana.
Segundo médica, os implantes subcutâneos vêm se destacando pela praticidade e pela liberação contínua dos hormônios. “Eles oferecem uma maior estabilidade dos níveis hormonais, o que pode favorecer a resposta clínica nas pacientes. A escolha deve ser sempre individualizada e com critério médico”, completa.
Ela ressalta, no entanto, que juntamente com a reposição hormonal, é fundamental adotar hábitos saudáveis. “Não existe solução isolada. É uma estratégia que deve estar associada à alimentação adequada, prática de exercícios e avaliação clínica”.

Apesar das dificuldades, emagrecer na menopausa não é impossível, mas exige ajustes. “As estratégias precisam ser mais personalizadas. Não adianta repetir a mesma dieta que funcionava aos 30 anos. É fundamental priorizar uma dieta personalizada, associar a atividade física e corrigir possíveis deficiências nutricionais”, orienta.
Por fim, a nutróloga Mariana Comério reforça a importância do acompanhamento profissional. “Cada mulher vive a menopausa de forma diferente. Avaliar exames, histórico clínico e composição corporal faz toda a diferença para um tratamento mais eficaz e seguro. Com informação e abordagem adequada, é possível atravessar essa fase com mais equilíbrio e sem abrir mão da boa forma e da qualidade de vida”, conclui.









