A comunidade científica tem usado um termo forte para descrever o avanço do Parkinson: pandemia. Não se trata de uma doença contagiosa, mas de uma condição neurológica que cresce rapidamente, impulsionada pelo envelhecimento da população e por mudanças no estilo de vida.
Projeções publicadas na revista The BMJ indicam que o número de pessoas com Parkinson pode chegar a 25,2 milhões em 2050 — um aumento de 112%. No Brasil, estudo da UFRGS e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre estima que mais de 500 mil pessoas com 50 anos ou mais convivam com a doença. Até 2060, esse total pode ultrapassar 1,2 milhão.
A neurologista e diretora regional da MedSênior em Belo Horizonte, Samira Chalub, explica que o Parkinson é progressivo e ocorre pela morte de neurônios responsáveis pela produção de dopamina, substância essencial para o controle dos movimentos. Com isso, surgem sintomas como tremor em repouso, lentidão, rigidez muscular e alterações de equilíbrio.
Hoje, sabe-se que a doença vai além dos sintomas motores. “Alterações de humor, distúrbios do sono e dificuldades cognitivas costumam impactar ainda mais a qualidade de vida. Também são comuns perda de olfato, constipação, fadiga e dor crônica — muitas vezes anos antes do tremor”, alerta.
Segundo a especialista, problemas como declínio cognitivo, dificuldade para andar e risco de quedas tendem a ser mais incapacitantes que o próprio tremor. Ainda assim, os tratamentos disponíveis atuam principalmente nos sintomas motores, o que revela uma lacuna no cuidado integral.
Outro ponto de atenção é o aumento de casos em pessoas mais jovens. Embora a maioria dos diagnósticos ainda ocorra entre 60 e 70 anos, há crescimento em faixas etárias abaixo disso, inclusive a partir dos 40.
Identificar sinais precoces — como perda persistente do olfato, constipação crônica, alterações de humor e do sono — pode ajudar no acompanhamento antecipado. “Ainda não há terapias que impeçam a progressão nessa fase, mas o diagnóstico precoce permite organizar melhor o cuidado e preparar o paciente e a família”, explica.
Medidas que podem ajudar a reduzir o risco:
• Cuidar da saúde cardiovascular: controlar pressão, glicemia e colesterol, não fumar e manter o peso adequado também protege o cérebro.
• Praticar atividade física: exercícios regulares melhoram a saúde cerebral e podem retardar o aparecimento de sintomas.
• Estimular o cérebro e a vida social: aprender coisas novas, manter hobbies e relações sociais fortalece a reserva cognitiva.
• Dormir bem: sono de qualidade ajuda a eliminar toxinas do cérebro e pode reduzir o risco de doenças neurodegenerativas.









