Sindicato denuncia condições de trabalho de novos contratados em hospitais estaduais

O Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (SIMES) divulgou, nesta quarta-feira (7), uma denuncia referente às condições de trabalho dos novos contratados pela fundação iNova Capixaba em dois hospitais estaduais.

O Sindicato afirma que há “descaso”, do Governo do Estado e de gestores da empresa, que substituiu a cooperativa que coordena os corpos clínicos do Hospital Antônio Bezerra de Farias, em Vila Velha, e do Hospital Roberto Arnizaut Silvares, em São Mateus.

Segundo o Simes, o problema começa no programa de contratações da empresa, que não possui um corpo clínico e desfez as equipes que atuavam há mais de duas décadas. “Para o lugar da experiente equipe, com anos de serviços prestados, foi contratada uma equipe menor, formada por médicos com menos tempo de carreira, que aceitam salários mais baixos e que estão sobrecarregados”.

De acordo com o presidente do Simes, Otto Baptista, a nova equipe montada pela empresa não é suficiente para suprir a demanda capixaba, sobretudo, às vésperas de Carnaval, quando há aumento significativo de atendimento.

“A nova equipe, da maneira que foi montada, não tem como cuidar de todas as necessidades dos pacientes nesses locais, o que coloca em risco a saúde dos capixabas. O corpo clínico sobrecarregado terá ainda que exercer as atividades do ambulatório, cirurgias e pós-operatórios”.

Outro ponto destacado pelo presidente do Sindicato é o desmonte nas equipes de cirurgia das unidades. “Além disso, as equipes de Cirurgia de Mão e Cirurgia Geral foram desmontadas. É deprimente a situação da saúde ortopédica no nosso Estado”.

O Sindicato reforça que, além do baixo número de profissionais de medicina e a consequente sobrecarga que essa situação gera, esses médicos atuam em ambientes com condições de trabalho péssimas e insalubres.

“Esse cenário configura assédio moral e causa estresse, desgaste físico e emocional aos colegas médicos. O Simes, no seu papel de entidade representativa da classe médica, exige uma resposta da Inova e do Governo do Estado”.

A pauta, conforme destaca o Sindicato, será encaminhada ao Ministério Público do Trabalho e Emprego, apresentando as denúncias que os médicos fizeram em todos os órgãos competentes do Governo do Estado e Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), para as quais não obtiveram resposta.

O que diz a Sesa?

Em nota, a Sesa informa que a cooperativa médica especializada em ortopedia e traumatologia que atuava nos hospitais Antônio Bezerra de Faria (HABF), em Vila Velha, e Roberto Arnizaut Silvares (HRAS), em São Mateus, interrompeu a prestação de serviços por decisão unilateral. “Com isso, as gestões das unidades precisaram contratar, em caráter emergencial, uma nova prestadora para manutenção do atendimento à população”.

A Sesa garante que as unidades estão atuando para minimizar os impactos da transição na prestação dos serviços, garantindo a assistência aos pacientes. “As transferências de pacientes para outras unidades são avaliadas de acordo com o quadro clínico”.

O que diz a iNova?

Procurada pela equipe de reportagem ESHoje, a Fundação iNova Capixaba não retornou até o fechamento da edição. O espaço segue aberto para manifestação.

Tentativa de diálogo

Em junho de 2023, o Sindicato dos Servidores da Saúde no ES (Sindisaude) demonstrou preocupação quanto a mudança de gestão de hospitais estaduais para a Fundação iNova, já que essa transição não garantia a realocação dos profissionais que já atuam nessas unidades.

A pauta foi tema de uma reunião com o governo no dia 29 de junho de 2023. O presidente do Sindisaude, José Reinaldo Alves, disse a ESHoje, na época, que o Sindicato se reuniu com a Secretaria Estadual de Saúde para debater questões urgentes relacionadas a situação dos servidores de saúde do Espírito Santo.

Um dos temas foi a mudança de gestão do Hospital Estadual Dório Silva, em Serra, que causava preocupações quanto a um possível desligamento de servidores que atuam no local.

“Pela lei os servidores não ficariam dentro do hospital. A gente está tentando equacionar esse problema junto ao governo para que possa ser resolvidos o quanto antes. Temos debatido essas e outras questões, tanto administrativas como resolutivas, presentes no texto dessa lei”, explica o presidente.

O processo de mudança de gestão do Hospital Dório Silva está em em andamento desde abril de 2023, não saiu. Na época, a Fundação iNova informou que a administração do Hospital Estadual Dório Silva seguia com o governo, mesmo tendo aberto um edital para contratação de profissionais para atuar na unidade em janeiro deste ano.

Apesar de ressaltar que não há indicador de que a mudança de gestão possa melhorar ou piorar a qualidade do atendimento, José Reinaldo pontuou o temor quanto aos postos de trabalho dos profissionais que atuam no local nos hospitais que a iNova passará a administrar. “Os servidores atuais teriam que sair. E é contra isso que estamos lutando, para que possamos encontrar uma forma de mantê-los. Porém, o governo destacou que isso é inviável”.

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