
Há pouco mais de um ano, os moradores do Edifício Alamanda, no bairro De Lourdes, em Vitória, estão lidando com uma companhia nada agradável. Morcegos da espécie frugívoros (se alimentam de frutas), se abrigaram em árvores próximas ao edifício, o que vem trazendo bastante dor de cabeça aos residentes.
Telefonista e moradora há 19 anos no local, Lilian Arides conta que a faixada do prédio, pintada há pouco tempo, está toda suja por conta das fezes dos mamíferos. Além disso, segundo a telefonista, a Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) alega já ter feito tudo o que estava ao alcance deles.
“Esse problema vem de mais de um ano e agora intensificou mais. A frente do prédio está toda suja de fezes dos morcegos, que fazem rasante a noite inteira e evacuam em jatos as fezes. Com isso, eu não posso ficar nem com minha janela do quarto e nem com a minha porta da varanda aberta”, explica.
Componentes fundamentais na manutenção e regeneração de florestas tropicais, os morcegos da espécie frugívoros não são ameaçadores. Além disso, ao se alimentarem, promovem a mobilidade das sementes dos frutos em que se alimentaram.
Problemas
Professor do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Espirito Santo (Ufes) e especialista em morcegos, Albert David Ditchfield ressalta que o morcego que seria mais problemático é o vampiro, que pode transmitir a raiva.
“Pelo visto eles [morcegos] são os frugíferos, que claro que também podem transmitir doenças e raiva, sendo um risco bem menor do que o vampiro, encontrados com mais facilidade em zonas rurais”, esclarece.
Por conta da quantidade expressiva de fezes no edifício, Lilian suspeita que seu cachorro tenha contraído uma bactéria. “Acho que meu cachorro lambeu as fezes após elas se virarem pó. Ele é um animal de apartamento que só se alimenta de ração especifica e mesmo assim contraiu uma bactéria. Sendo assim, imagina o perigo pra gente [ser humano] já que um cachorro passou mal”, supõe moradora.
De acordo com o Professor do Departamento de Ciências Biológicas da Ufes as fezes do mamífero podem transmitir doenças, bactérias, e também vírus. Além disso, Ditchfield orienta que se algum morador ver um morcego caído não deve colocar mão, ficar atento com animais domésticos, que podem pular no animal e contrair raiva ou até mesmo ser mordido.
Prefeitura de Vitória
Ainda de acordo com Lilian, o esposo dela fez diversas reclamações à prefeitura. Sendo que, a PMV já retornou com a resposta alegando que eles não podem fazer a retirada dos morcegos, já que os animais são protegidos pelas leis de número 5.197, de 3 de janeiro de 1967, e 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, capazes de penalizar os indivíduos portadores de “condutas e atividades lesivas ao meio ambiente”.
“Realmente eu peguei a lei e existe essa proteção. Além disso, a prefeitura disse que faria alguma coisa se fossem morcegos que não se alimentassem e frutas. Também foi realizada uma poda na árvore, abrindo alguns espaços para clarear e ver se eles [morcegos] iam embora”, conta Arides.
Por outro lado, Ditchfield explica que o mais simples seria cortar a árvore. Por outro lado, o professor orienta que o correto seria entrar em contato com a prefeitura e solicitar a poda da árvore, ou também retirar os frutos manualmente, já que são eles que atraem os mamíferos.
A reportagem do ESHOJE procurou a Prefeitura Municipal de Vitória (PMV), mas até o fechamento desta matéria não obtivemos retorno.












