Poucas bebidas contam tanto da história do Brasil quanto a cachaça. Neste domingo, 13 de setembro, é celebrado o Dia Nacional da Cachaça, uma homenagem ao destilado produzido a partir da cana-de-açúcar e que atravessou séculos entre engenhos, proibições, revoltas e, claro, muitos brindes.
A escolha da data não é por acaso. A história remonta ao Brasil Colônia, quando a cachaça ganhou popularidade e passou a concorrer com bebidas portuguesas, especialmente a bagaceira. A Coroa portuguesa chegou a impor restrições à produção e à comercialização do destilado brasileiro.
A pressão sobre produtores e comerciantes ajudou a desencadear, no Rio de Janeiro, a chamada Revolta da Cachaça, entre 1660 e 1661. Depois do conflito, a Coroa recuou e, em 13 de setembro de 1661, uma Ordem Régia marcou a liberação da produção e da comercialização da bebida. Séculos depois, esse episódio inspirou a escolha da data comemorativa. A iniciativa para criação do Dia Nacional da Cachaça foi lançada pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), em 2009.
De bebida perseguida a símbolo da identidade brasileira, a cachaça ganhou espaço também na gastronomia. E não apenas na caipirinha ou acompanhando pratos salgados: seu aroma combina especialmente bem com sobremesas à base de caramelo, frutas, chocolate, coco e rapadura.
Para celebrar a data, a proposta é juntar dois sabores profundamente brasileiros em uma sobremesa conhecida de todo mundo: pudim de cachaça com calda de rapadura.
Pudim de cachaça com calda de rapadura
Ingredientes do pudim
1 lata de leite condensado
2 medidas da lata de leite integral
3 ovos
3 colheres (sopa) de cachaça
1 colher (chá) de essência de baunilha, opcional
Para a calda
150 g de rapadura picada ou ralada
½ xícara de água
1 colher (sopa) de cachaça
Modo de preparo
Comece pela calda. Coloque a rapadura e a água em uma panela e leve ao fogo baixo, mexendo até a rapadura derreter completamente e formar uma calda. Desligue o fogo, acrescente a colher de cachaça com cuidado e misture. Espalhe a calda no fundo e nas laterais de uma forma de pudim.
Para a massa, bata rapidamente no liquidificador o leite condensado, o leite, os ovos e a cachaça, apenas até obter uma mistura homogênea. Se quiser um pudim mais lisinho e com menos furinhos, evite bater demais.
Despeje a mistura na forma caramelizada, cubra com papel-alumínio e asse em banho-maria, em forno preaquecido a 180°C, por aproximadamente 1 hora e 20 minutos, ou até que esteja firme nas bordas e ainda levemente cremoso no centro.
Deixe esfriar e leve à geladeira por pelo menos quatro horas antes de desenformar.
Dica: para um sabor mais delicado, prefira uma cachaça branca de boa qualidade. Quem quiser uma sobremesa mais aromática pode experimentar uma cachaça envelhecida em madeira, usando a bebida com moderação para não encobrir o sabor da rapadura.
O resultado é um pudim familiar, mas com sotaque diferente: a rapadura deixa a calda mais intensa e a cachaça acrescenta perfume e uma leve nota alcoólica. Uma sobremesa brasileira para brindar — de colher — a história de uma das bebidas mais brasileiras que existem.










