Nhoque da fortuna: tradição do dia 29 promete mesa farta e dinheiro no bolso

Todo dia 29, muita gente coloca água para ferver, separa a farinha e prepara o bolso — literalmente. É dia de nhoque da fortuna, uma tradição que atravessou gerações e transformou um dos pratos mais conhecidos da cozinha italiana em símbolo de prosperidade.

A origem do costume é cercada por uma antiga lenda envolvendo São Pantaleão. Segundo a tradição popular, em um dia 29, o santo teria vagado por uma pequena aldeia italiana disfarçado de andarilho. Com fome, bateu à porta de uma família pobre e pediu algo para comer.

Apesar de terem pouco, os moradores dividiram com o desconhecido o jantar daquele dia: nhoque. A comida era tão escassa que teriam cabido apenas sete unidades para cada pessoa à mesa.

Depois que o visitante partiu, porém, a família teria encontrado moedas sob os pratos. O gesto de generosidade acabara recompensado — e estava criada a lenda que associaria o nhoque do dia 29 à fartura e à prosperidade.

Dinheiro debaixo do prato

O ritual ganhou diferentes versões ao longo do tempo, mas a mais popular manda colocar uma nota ou moeda debaixo do prato e comer os sete primeiros nhoques em pé. A cada um deles, deve-se mentalizar um desejo ou pedido de prosperidade.

Depois, pode sentar e terminar a refeição tranquilamente — porque fortuna é ótimo, mas comer nhoque inteiro em pé já seria exigir demais da superstição.

Há quem guarde o dinheiro utilizado no ritual até o dia 29 seguinte e quem prefira doá-lo. O importante, segundo a tradição, é compartilhar a mesa e manter a ideia de abundância que está na origem da história.

E, com ou sem dinheiro aparecendo misteriosamente debaixo do prato, existe uma certeza: nhoque feito em casa já é uma pequena fortuna.

Nhoque de mandioquinha com manteiga, sálvia e parmesão

Ingredientes

Para o nhoque:

1 kg de mandioquinha (batata-baroa)
1 gema
Cerca de 1 xícara de farinha de trigo
½ xícara de parmesão ralado fino
Sal a gosto
Noz-moscada a gosto

Para finalizar:

100 g de manteiga
Folhas de sálvia fresca
Parmesão ralado
Pimenta-do-reino moída na hora

Modo de preparo

Cozinhe a mandioquinha até ficar macia. Escorra muito bem e passe ainda quente pelo espremedor. Espalhe o purê sobre uma superfície para perder um pouco da umidade e deixe amornar.

Acrescente a gema, o parmesão, uma pitada de noz-moscada e sal. Junte a farinha aos poucos, misturando delicadamente, somente até obter uma massa que possa ser modelada. Quanto menos farinha for necessária, mais leve ficará o nhoque.

Divida a massa em porções, faça rolinhos sobre uma bancada enfarinhada e corte os nhoques.

Leve uma panela grande com água e sal ao fogo. Quando ferver, cozinhe os nhoques em pequenas porções. Assim que subirem à superfície, espere alguns segundos e retire com uma escumadeira.

Em uma frigideira grande, derreta a manteiga e acrescente as folhas de sálvia. Deixe aquecer até a manteiga começar a ganhar uma tonalidade levemente dourada e ficar perfumada.

Passe os nhoques cozidos pela frigideira, envolvendo-os delicadamente na manteiga. Finalize com parmesão e pimenta-do-reino.

Na hora de servir, não esqueça a nota debaixo do prato e os sete primeiros nhoques da fortuna. Se a riqueza não chegar, pelo menos o jantar já valeu o investimento.

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