“Vou honrar a escolha com a mesma dedicação”, diz desembargador eleito à unanimidade

Conforme antecipado por ES Hoje, o juiz Luiz Guilherme Risso foi eleito desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) na tarde desta quinta-feira (28). O magistrado já atuava no Pleno como desembargador substituto na cadeira ocupada pelo desembargador aposentado Fábio Clem, desde novembro do ano passado. Ao longo de seus 36 anos de magistratura, ele também substituiu férias e outras ausências de membros do tribunal. A promoção histórica ocorreu pelo critério de antiguidade.

“São 36 anos de caminhada, e agora passa a integrar, com muita honra e muito merecimento. Vossa excelência sempre teve conduta excelente, escuta ativa e sensibilidade. Seja muito bem vindo e que Deus conduza a sua caminhada”, disse a presidente do TJES, desembargadora Janete Simões, após o nome ser referendado por unanimidade pelos demais desembargadores votantes.

O discurso do novo desembargador do Tribunal de Justiça

Após receber os cumprimentos e posar para fotos com colegas do Judiciário e familiares, o novo desembargador prestou o juramento oficial e fez um discurso focado em sua trajetória e na responsabilidade do cargo.

“São mais de 30 anos de trabalho. Forma muitos processos e muitas circunstancias. Cada cidade, cada Vara, cada processo foram essenciais para que eu chegasse aqui neste momento. Uso minha experiencia de vida para agir. Cada decisão é única, tenho consciência. Cada decisão é um rosto, uma vida. (…) Sempre atuei sem ceder a pressões, estou aqui para ser incisivos diante dos desavios que ainda virão. (…) Aos eminentes colegas que participaram da votação, vou honrar. Muito obrigado a todos”, discursou Luiz Guilherme Risso.

Risso é formado em Direito pela primeira turma da então Faculdade Vila Velha, atual Universidade Vila Velha (UVV), e iniciou sua carreira jurídica como promotor de Justiça, aos 23 anos. Ele atuou em várias comarcas do interior do estado e também como promotor do Júri da Capital.

Juiz excluído do Judiciário tentou assumir a vaga no Pleno

A vaga de antiguidade preenchida por Risso chegou a ser solicitada por Maurício Camata Rangel, magistrado recentemente condenado à exclusão dos quadros do Poder Judiciário capixaba. O requerimento de Camata, no entanto, foi rejeitado pela presidente Janete Simões e acompanhado em consenso pelo colegiado.

A desembargadora Eliana Junqueira, ao seguir o voto da presidência, foi categórica: “Não conheço a inscrição do juiz porque ele não faz mais parte do quadro, está excluído do quando do Poder Judiciario do Espírito Santo”.

Entre abril e maio de 2026, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo julgou Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra Maurício Camata Rangel e aplicou a pena máxima administrativa da magistratura, determinando sua aposentadoria compulsória. As condenações aconteceram devido à sua participação direta em um esquema de desvios e pela liberação de alvarás milionários — incluindo um montante de R$ 2,7 milhões — com rapidez incomum, falta de cautela e sem que as ações judiciais estivessem concluídas.

Caso não tivesse enfrentado os processos administrativos e as punições disciplinares, Camata seria o juiz com maior tempo de carreira e preencheria o critério de antiguidade exigido para a vaga aberta no tribunal.

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