Quase sete anos depois, engenheiro será julgado por matar a esposa

A 1ª Vara Criminal de Vitória decidiu, quase 7 anos depois, que o engenheiro eletricista Patrick Noé dos Santos Filgueira vai a júri popular pelo feminicídio da esposa, a professora Danielly Wandermurem Benício. A decisão é do juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho.

O crime aconteceu dia 29 de dezembro de 2017. Patrick e Danielly eram casados há cerca de 12 anos. O corpo dela foi encontrado com sinais de violência por volta das 19h do dia seguinte, na cobertura onde o casal morava, no bairro Jardim Camburi, em Vitória.

O engenheiro afirma que Danielly se matou após ingerir chumbinho, porque tinha depressão. Porém, isso foi descartado. O laudo cadavérico aponta que ela sofreu hemorragia após ter a cabeça batida várias vezes contra o chão. Também não foi detectada nenhuma substância tóxica no corpo dela.

“No dia 29 de dezembro de 2017, por volta das 22h47min, na Rua Domingos Póvoa Lemos, nº 69, cobertura 02, Jardim Camburi, nesta capital, o enunciado, agindo com animus necandi, mediante ação contundente, matou sua esposa, Danielly Wandermurem Benício Filgueira, conforme descrito no Laudo de Exame Cadavérico Preliminar de fl. 76 e Laudo de Exame Cadavérico Definitivo de fls. 189/190”, afirma o Ministério Público (MPES), na denúncia.

De acordo com o MPES, Patrick e Danielly se casaram em outubro de 2016. Mas, segundo o depoimento de testemunhas, em 2017 a relação ficou tumultuada e os dois brigavam muito.

No dia do crime, o casal teve um desentendimento, motivado, de acordo Patrick, por ciúmes. Ele alega que flagrou Danielly mantendo uma conversa, por celular, com outro homem, e por isso teria sido agredido, ficando com um corte acima do olho.

Patrick, então, saiu de casa, às 19h37. Parentes dele foram até lá, onde ficaram com Danielly até 20h58. Depois disso, ela ficou sozinha, saiu às 22h07 e voltou 22h23. O engenheiro, com a desculpa de que precisava buscar um notebook, esteve na residência com o marido de uma sobrinha 22h37, saiu, disse que tinha esquecido algo, e voltou sozinho, às 22h47.

Patrick, segundo o MPES, ficou por cerca de dois minutos no apartamento, saindo às 22h49, momento que o crime aconteceu. “Após tal horário até as 18h59 do dia seguinte (30.12.2017), nenhuma pessoa entrou ou saiu do apartamento do casal, sendo tal fato confirmado pelos relatos dos porteiros, pelo Controle de Visitantes existente na portaria do prédio e pela câmera de videomonitoramento que filmava as portas de entrada do apartamento”.

Por volta desse horário, Patrick e o parente foram de novo ao apartamento, com Danielly já morta. “O motivo do crime foi o ciúme que o denunciado sentia da vítima, vez que, como já exposto, o relacionamento do casal, principalmente no ano de 2017, foi marcado por brigas constantes, tendo, inclusive, o denunciado saído de casa, no mês de abril de 2017. Tal motivação se revela fútil (desproporcional), no caso concreto, na medida em que revela o sentimento de posse e tentativa de controle da vítima (que era monitorada até mesmo nas redes sociais) por parte do Denunciado. Por fim, constata-se que o. bárbaro crime foi cometido contra mulher por razões da condição de sexo feminino, eis que envolve violência doméstica e familiar em virtude do gênero feminino, tendo em vista que decorrente de relação íntima de afeto (matrimônio) entre denunciado e vítima”.

Esse controle era tanto que Patrick clonou o WhatsApp de Danielly, fato, segundo a justiça, admitido pelo próprio. Mais de 20 pessoas prestaram depoimento a polícia e a justiça, corroborando no entendimento de que Danielly foi vítima de feminicídio.

 

 

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas