Câmara de Vitória: eleição da mesa diretora numa tentativa de pacificação com o Executivo

Com a poeira das urnas de outubro devidamente baixada, as atenções da política municipal voltam-se, inevitavelmente, para a Câmara de Vitória (CMV). Mais precisamente, para a eleição da mesa diretoria, que pode ter mais um nome – além de Dalto Neves (SDD) – para sucessão de Anderson Goggi (Republicanos) na cadeira de presidente.

Informações dão conta que a tentativa é da pacificação, uma vez que o tema que provocou um racha no Legislativo da capital e a criação do grupo da maioria dos edis – ainda chamado de G15 o bloco hoje reduzido a 14 parlamentares devido à cassação de Baiano do Salão (Podemos) e à vacância de sua cadeira – e a base da prefeita Cris Samorini (Progrressistas) que conta com apenas seis parlamentares. A concilição seria o nome do vereador Luiz Paulo Amorim (PSB).

Nos últimos dias foi aprovada proposta da vereadora Karla Coser (PT) que fixou o pleito para o intervalo entre 1º e 20 de novembro, estabelecendo o prazo-limite de registro de chapas até 48 horas antes da sessão convocada.

Onde surgiu o racha

Para entender o tabuleiro atual, é preciso retroceder a agosto. Naquele momento, o vereador Dalto Neves (SDD) despontava como o nome forte do G15. Com a adesão maciça dos pares, a vitória de Neves parecia madura, mas uma manobra coordenada pelo Executivo municipal e executada pelo atual presidente da Casa, Anderson Goggi (Republicanos), conseguiu empurrar a votação para depois das eleições gerais.

Agora, com o calendário apertado, a especulação em torno do nome de Luiz Paulo Amorim, membro do G15, ostenta uma característica de peso para o momento: transita com facilidade entre diferentes correntes e conta com a simpatia da gestão da prefeita Cris. Para interlocutores da Casa, ele surge como a hipotética “candidatura da pacificação”.

A movimentação, contudo, divide opiniões. Fontes ouvidas pela coluna avaliam que a lembrança do nome de Luiz Paulo Amorim pode soar como um balão de ensaio destinado a testar a coesão do “G15”. Dentro do bloco, nas reuniões fechadas, a diretriz estabelecida era a de manutenção do apoio a Dalto Neves, sem que nenhum outro membro tivesse manifestado publicamente intenção de disputar a presidência.

Correlação de forças

Uma eventual divisão interna beneficiaria diretamente o grupo minoritário — o “G6”, composto pelos governistas Leonardo Monjardim (Novo), Mara Maroca (Progressistas), Davi Esmael (Republicanos), Luiz Emanuel (Republicanos), Armandinho (PL) e o próprio presidente Anderson Goggi.

Apesar da clivagem numérica na Casa entre o G14 e o G6, vale observar o pragmatismo que rege as bancadas. O grupo majoritário do “G15”, embora formalmente fora da base oficial do Executivo, jamais atuou como oposição ostensiva: não obstrui matérias do Executivo nem promove convocações de secretários. Trata-se de uma correlação de forças que busca mais espaço institucional do que o confronto ideológico.

Procurados pela reportagem para comentar as articulações e a definição das datas, nem Luiz Paulo Amorim nem Dalto Neves retornaram às tentativas de contato até o fechamento desta coluna.

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