O governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB), enfim, rompeu o silêncio nesta quinta-feira (29). Às vésperas do feriado do Dia do Servidor, transferido para esta sexta-feira (30), o emedebista voltou a se manifestar publicamente, após dias de discrição desde a derrota nas urnas.
Ricardo compartilhou uma notícia sobre as maiores taxas de investimento entre os estados brasileiros, levantamento no qual o Espírito Santo aparece na segunda colocação. Além disso, anunciou a equipe de transição para a futura gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos).
A coordenação ficará a cargo de Edmar Camata, secretário de Estado de Controle e Transparência. Também integram o grupo Pedro Caçador, secretário de Estado de Governo, e Iuri Carlyle, procurador-geral do Estado.
Nos últimos dias, interlocutores comentaram que Ricardo ficou mais reservado após o impacto da derrota eleitoral. O recolhimento também se refletiu na quantidade de informações divulgadas pelo governo ao longo desta semana, em contraste com o ritmo habitual de comunicação da gestão.
Outro movimento do governador foi o diálogo com os demais Poderes. Ricardo reafirmou o compromisso com a Lei de Diretrizes Orçamentárias para o próximo ano, assegurando que os acordos estabelecidos serão cumpridos. Nos bastidores, a postura foi interpretada como demonstração de honradez e responsabilidade institucional, com repercussão positiva entre representantes dos Poderes e de outras instituições.
Ricardo sofreu um duro baque, é verdade. Mas saiu das urnas com cerca de 1 milhão de votos, um capital político que não pode ser desprezado. Aos 63 anos, seria precipitado decretar o fim de sua trajetória. O emedebista ainda tem idade para novos projetos e já ocupou algumas das principais cadeiras eletivas do Espírito Santo.
A questão, agora, é saber qual caminho pretende seguir. Ricardo poderá ampliar sua atuação na iniciativa privada, onde desfruta de prestígio, ou buscar novas formas de participação na vida pública. A partir de 1º de janeiro, quando deixar o Palácio Anchieta, diferentes possibilidades estarão sobre a mesa.
O resultado eleitoral, contudo, impôs lições não apenas a Ricardo, mas também ao ex-governador Renato Casagrande (PSB). A derrota interrompeu um projeto de continuidade política e abriu espaço para a chegada de um novo grupo ao comando do Estado.
Resta observar como essa nova configuração de forças vai se consolidar e, sobretudo, qual será o papel de Ricardo Ferraço nesse cenário. O silêncio terminou. A definição de seu futuro político, porém, ainda está por vir.










